Funeral Parade of Roses

quarta-feira, 20 de maio de 2009



Um dos filmes charneira da Nova Vaga Japonesa dos anos 60, este FUNERAL PARADE OF ROSES foi o primeiro longa de Toshio Matsumoto e é bastante notória durante toda a sua duração a sua experiência na área do documentário.

Parte ficção, parte documentação, parte tratado avant-garde, parte exorcismo edipiano, há de tudo isto um pouco neste híbrido cinematográfico. Constantemente ousado, desafiador e quebrador de barreiras, estamos perante uma obra conscientemente desenhada para provocar no espectador um confronto de ideias e de emoções sensoriais.

Como se não bastasse, possui também o raro privilégio de ser um dos primeiros filmes a retratar a homossexualidade de uma maneira bastante cândida e livre de preconceitos. Diga-se de passagem que o facto do actor principal - Peter, um drag queen de uma beleza desconcertantemente andrógina - ter carisma para dar e vender também ajudou e muito ao sucesso do filme.

Poder-se-á dizer que estamos perante um dos grandes exemplos do metacinema, visto que desde as primeiras imagens que nos apercebemos que este filme não é só sobre os personagens retratados, mas sim também acerca do processo da produção de um filme. Temos direito inclusivé a entrevistas filmadas com os actores acerca do que acham sobre o filme que estão a fazer. Mais vanguarda do que isto é um pouco difícil.

Produzido pela ATG (Art Theatre Guild do Japão, uma instituição criada de raíz para satisfazer as necessidades de um cinema mais experimental com meios para o sustentar; eram donos de várias casas de cinema por todo o país), FUNERAL PARADE OF ROSES fez carreira internacional, em parte graças à sua temática ousada mas também, e sobretudo, ao poder das suas imagens que complementavam na perfeição a mensagem que os seus criadores queriam transmitir.

A ver com muita atenção.