Sal

quarta-feira, 1 de junho de 2011



    Foi há 30 anos, no Rio de Janeiro, que Glauber aparou a barba, arranjou o cabelo e deixou crescer as asas e, depois de um episódio de breve, mas definitivo fenecimento corpóreo, decidiu sobrevoar as grandes e as pequenas cidades, burgos, aldeias e lugares. Tocar pessoas, acompanhar cães nos passeios, histéricos atrás das moscas, observou gatos e foi gatos. Troçou das efémeras porque se garantiu eterno.

                Rompeu com aprumados, bem-vestidos, bem-falantes, bem-falados, agarrou indigentes, embalou mulheres grávidas solitárias e cuspiu no FMI. Viu Cristo e deu-lhe um par de tapas, por ele mesmo ter comido toda a areia que lhe cabia no estômago a fingir, para aliviar os sertanejos das vidas secas que levam. Encontrou Deus e fez-lhe uma rasteira rasteira pela distracção quanto aos Sem-Terra. Amparou Tom Zé da queda que iria dar na banheira e afinou o ré do violão de Toquinho. Sentou-se nos ombros do Corcovado, a jogar canasta com Guimarães Rosa. 

                Pediu satisfação a Cristo por Pixote e cada pivete mal-amado, desperdiçado, e recebeu uns quantos vindos direitinhos da Candelária. Tornou-os estros de Caetano e de Gil. Também o foram outrora de Cartola e Noel. Pelos favelados arriou, sussurrando, ciciando, murmurando, segredando, rumorejando que o “morro não tem vez”. Reviveu o tráfico negreiro e a lei Áurea, não pode deixar de achegar os trabalhadores dos grandes latifúndios aos negros da senzala e então bradou-se em lamúria, sangrou e sangrou, deliberou que toda a gente havia de ser livre, porque quem trabalha porque tem fome, tem fome de liberdade e de asas e de ar fresco.

    Infiltrou-se sublimado num edifício gigante. Outrora fora uma construção de uns tantos blocos de betão armado, gradeado num padrão ora grade, ora cimento, ora grade, ora cimento. Agora, eram umas quantas caixas de cartão gigantes, para onde se jogavam homens criminais culpados dos males inteiros do Brasil. Empurrava-se aqui e lá cabia mais um, calcava-se ali e cabia outro pequenito, matavam-se dois para plantar uns cinco. Um dia, as caixas tiveram paredes côncavas e saíam coisas pelas grades e pelas juntas, pertences escassos dos homens ruins do Brasil. Felizmente, as forças policiais das caixas, com nome tupi-guarani, Carandiru, mataram uns quantos. As espumas dos sangues adidos ao éter de Glauber, agravaram o seu pêsame de eternidade em 250 homens.  
   
    Deu palmadinhas de alento e estímulo nas costas de Teotônio Vilela e nas de Tancredo Neves, abriu os braços pela emancipação do povo – Diretas Já! – exigia o PMBD. –Directas Já! Ajoelhou à tornada ao poder civil de ‘85, regozijou-se com a nova constituição federal de ‘88 e pelas directas para a presidência da república de ‘89, cantou hinos celestes saídos directamente do seu coração deveras revolucionário e lastimou fazer tão cedo a grande viagem e a sina de somente assistir a este prenúncio de dignidade dado ao seu povo assalariado, caipira, pescador, gaúcho, cantoneiro, flanelinha, favelado, mal-amado, que diria Jorge?
  
    Desde há 30 anos, que beija todas as faces dos filhos todas as noites e as bocas de todas as mulheres, no beijo impassível de anjo que pode; continua a achar Chico burguês, mas, este, por sorte, continua esquerdista. Empurrou Dilma para o lugar onde ela está e ameaçou, cara-a-cara Médici de ajuste de contas. Amou com violência Tião por o macaco representar a estética da fome e a estética da violência.

     Envergonhou-se de Collor de Mello, Ai Iemanjá! …e o que fez ele ao seu Brasil brasileiro, negro, mestiço, indígena, azul, verde, branco e amarelo, sincrético e depois patético e deflacionado!? Indignou-se com Sarkozy, com Obama, com a NATO, com o petróleo, com o gás natural, com a dívida ao Banco Mundial, rasgou as faces com mágoas de revolta, zanga e ácido porque para haver os que comem, sobra tanta mas tanta gente com fome e para haver quem se calce, existe tanta garotada descalça.
              

 FILHOS DA PUTA – não sobra nada!

 FILHOS DA FRUTA – não lutam por nada!

 FILHOS DA GRUTA – não lhes cabe nada!

Cabe-nos a nós, sobra-nos a nós, temo-lo para nós: O SAL DE GLAUBER.
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Filme do Dia: Wizard of Gore

sexta-feira, 26 de novembro de 2010



Herschell Gordon Lewis é um dos realizadores de referência aqui no Maus. Por isso, estava mais que na hora de programarmos uma sessãozinha com um dos seus (muitos) clássicos. Fiquem então com WIZARD OF GORE, daquele que é justamente considerado o Padrinho do Gore no Cinema.

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Filme do Dia: Häxan: Witchcraft Through the Ages

sábado, 30 de outubro de 2010



E porque o Halloween está aí mesmo à porta e porque hoje é Sábado e está a chover, porque não então ficar em casa a ver esta preciosidade sueca dos tempos do cinema mudo? Olhem que vale mesmo a pena. Mais tarde iria ser redescoberto pela geração beat e relançado nos cinemas norte-americanos com narração do mítico William S. Burroughs, mas a versão que vos trago aqui hoje é a original. Boa sessão!

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Filme do Dia: Vampiros en la Habana

segunda-feira, 25 de outubro de 2010



E que melhor coisinha para começar a semaninha do que um filme de animação cubano com vampiros e gangsters à mistura? E depois digam lá que eu não vos trato bem...

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Filme do Dia: Teaserama

segunda-feira, 27 de setembro de 2010



E porque hoje é 2ª feira, porque não começar a semana com uma boa dose de burlesco? Porque não, não é? E quem melhor para isso do que Betty Page? Ou Tempest Storm? Chega de 2ª feiras cinzentas! Uma boa semana para todos!

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Filme do Dia: Alice in Wonderland de Lou Bunin

domingo, 29 de agosto de 2010



E porque hoje é Domingo, fiquem com o perfeito filme para uma mattinée deliciosa: a raríssima versão que Lou Bunin fez do clássico de Lewis Carroll e que, na altura, se viu envolvido num pequeno escândalo com a Disney, visto que o Sr. Walter estava também a preparar a sua própria versão do mesmo clássico literário. Já estão a ver quem é que ficou a ganhar, não estão? Bem, mas como a internet tem destas coisas, deixo-vos com a privilegiada oportunidade de decidirem qual versão gostam mais. E bom Domingo!

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Filme do Dia: Electroma

sábado, 14 de agosto de 2010



E como hoje é Sábado, que tal uma mattinéezinha? A sugestão de hoje chama-se ELECTROMA e é um filme já aqui abordado no Maus que achamos merece ser relembrado e re-estudado. Os seus criadores são o duo francês Daft Punk (que se preparam para ter uma exposição global ainda maior com TRON: LEGACY, para o qual compuseram a banda-sonora) e o resultado final é tão bom que esperamos não seja esta a sua única incursão no cinema. Enquanto isso não acontece, fiquem com esta pequena pérola de pouco mais de uma hora. E bom Sábado!

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E sobre Domenico e a Nostalgia

sábado, 10 de julho de 2010



"Se morrer, morro


Interessa que te dei os meus olhos, meu amor, tragicómica, eu, de ser para ti para sempre
Se viver, vivo
deixei de ver
E que me lembre do poder do verbo, da súmula das palavras, da imensidade dos sentidos, da licenciosidade dos significados
Se tremelicar, tremelico
e não segura
Que te tenha dito tantas vezes que, além dos meus olhos, te dei o vidrino fio da minha conivência perpetrada até à linfa das coisas invisíveis
Se definhar, definho
e desvario
Mãe, que a ti te tenha feito sentir o apreço ao aleatório vagaroso e narcótico
Se tombar, tombo
e me estendo, enfim
Que as alas se abram para o meu cancro de alma se purgar e se livrar de mim, no finalmente
Se vagarar, vagaro,
ela toma-me a expressão, rouba-me da língua a palavra
Que apareçam os gatos perdidos e se soltem os enclausurados, para que me despeça
Se vaguear, vagueio
naquele sítio entre o céu e a terra e sonho
Que os doidos saiam à rua de chapéu para cantar e dançar, que eu sou uma deles
Se ceder, cedo
e cedo cedo
Que a perfídia se assuma vestida de Fátima e Maria.

Que a loucura seja ensinada nas escolas, como uma extravagante ciência humana, no mesmo módulo da poética.


Meus filhos, que vos possa ter feito entender a mensagem excelsa da liberdade.
Porque hoje morro.
Hoje morro de desesperança e fracasso, de incapacidade.
Morro, porque não fiz por vós o suficiente, nem por mim, nem por homem algum, morro de uma doença que não se alivia, que não melhora, de uma contusão de corpo inteiro, morro de crescimento e madureza, porque sou tão nova para ser imputada, tão nova para ver gastas as minhas ficções de Paris e de amor romântico.

Morro porque não quero morrer."
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Filme do Dia: Motorpsycho

segunda-feira, 5 de julho de 2010



E começamos a semana "a todo o gás"! MOTORPSYCHO do genial Russ Meyer é a nossa sugestão de hoje e se ainda não viram, ou pior, se ainda não sabem quem é Meyer, então envergonhem-se de serem seguidores deste Blog. Este senhor é obrigatório e, noutro registo, está a ser um dos responsáveis pela minha iniciação ao vegetarianismo. Mas isso são outras histórias. Por ora, fiquem com um alucinante exercício de exploitation no seu melhor.

Tenham uma óptima semana!

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Filme do dia: 200 Motels

sexta-feira, 7 de maio de 2010



Uma raridade e um objecto de culto que à custa de litígios entre a família do finado Zappa e os distribuidores actuais se encontra no limbo do mercado home video. O que por outras palavras quer dizer: "vejam esta cópia às tranches no YouTube porque tão cedo não vão poder comprá-la". E sem remorsos. E esta versão tem o bónus de ter legendas em PT do Brasil! Tá ligado?

Com Ringo Starr a fazer de Zappa, freiras voadoras, sequências de animação e um argumento que mais parece ter sido escrito por alguém sobre a influência de alucinogénicos (o que não deve estar muito longe da verdade...), 200 MOTELS tem também a honra de ter sido a primeira longa-metragem a ser inteiramente filmada em video (tendo sido posteriormente transferida para película). A ver com muita curiosidade, claro.

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Filme do dia: Hercules Unchained

sábado, 3 de abril de 2010


HERCULES UNCHAINED, ou ERCOLE E LA REGINA DI LIDIA no título original, é um peplum italiano de 1959 realizado por Pietro Francisci com o grande Steve Reeves no papel principal (a última vez que ele fez de Hércules no cinema e olhem que foram muitas) e com a bela Sylva Koscina como par amoroso.

O peplum, também conhecido como sword and sandals, foi um género muito apreciado em Itália e é fácil perceber porquê: a rica mitologia que por lá nasceu está bem impregnada nos seus inconscientes e basta visitar qualquer museu para ver o quão isso está patente nas imensas estátuas que por ali povoam.

Este filme, além de ser uma óptima desculpa para uma mattinée perfeita, serve também para espicaçar um certo Mau da Fita que anda a prometer fazer um certo Top, mas que não ata nem desata!

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Filme do dia: Multiple Maniacs

sexta-feira, 19 de março de 2010


Eu raramente falto ao meu prometido e tenho por norma cumprir sempre diligentemente as minhas obrigações. Na medida do possível, claro. Como tal, aqui estou eu a falar-vos de mais um filme do deliciosamente escabroso John Waters, desta feita sobre o seu último filme a preto e branco: MULTIPLE MANIACS.

Como também prometido, seguimos cronologicamente a carreira deste realizador americano e, logo à partida, MULTIPLE MANIACS surge-nos como uma ponte entre a primeira experiência de Waters na realização de longas-metragens - MONDO TRASHO - e o que ainda hoje é considerada a sua magnum opus – PINK FLAMINGOS. Encaixadinho entre os dois, MULTIPLE MANIACS mostra-nos um Waters mais à vontade com o seu meio de expressão artística de eleição (as técnicas por si usadas já não se sentem tão rudimentares como em anteriores esforços) e também mais em sintonia com o “meio ambiente” em que as suas personagens marginais se inserem (caso não saibam, Waters nasceu no seio de uma família perfeitamente normal e conservadora, mas cedo sentiu a atracção por tudo que era anormal e provocador, por assim dizer).

Assim sendo, MULTIPLE MANIACS assume-se logo à partida como um filme no mínimo provocador e ultrajante no seu melhor. Não querendo cair em spoilers, posso no entanto dizer que este filme é como sentarmos a uma mesa onde nos é servido um banquete onde os pratos competem entre si em bizarria e mau-gosto, passando a expressão (Waters é hoje apontado como um dos supremos especialistas em “bom” mau-gosto). Desde Divine, o seu parceiro no crime desde o início das suas aventuras no cinema, ser violado e posteriormente visitado pela Criança de Praga que o leva a uma Igreja onde Mink Stole, outra das suas eternas parceiras no crime, lhe dá consolo espiritual e sexual na forma de um “rosary-job” (vejam para crerem, porque eu cá não explico!), até ao ataque de um monstro que se dá pelo nome de Lobstora e a um espectáculo que se auto-denomina como Cavalcade of Perversions, há de tudo neste MULTIPLE MANIACS.

É tido por alguns fãs como o mais chocante filme de Waters, precisamente porque junta o lado perverso e fetichista do ser humano e o contrapõe com ideias e imagens altamente religiosas num cocktail molotov visual e ideológico que corrompe irremediavelmente qualquer mente burguesa. A ver obrigatoriamente, então.

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Filme do dia: Faraon de Jerzy Kawalerowicz

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010


E porque visitar o Maus da Fita é sempre uma surpresa (espero eu), e porque para mim o Cinema é também uma constante surpresa de novas descobertas, deixo-vos aqui uma sugestão de filme que espero que vos aguce o apetite para novos paladares. FARAON é um filme de 1969 do polaco Jerzy Kawalerowicz (experimentem dizer muito rápido três vezes a ver se conseguem) sobre, entre outras coisas, o abuso do poder e o poder estatal. É passado no antigo Egipto, como já devem ter adivinhado, e veio aqui hoje à baila porque, pelos vistos, foi uma das principais inspirações por trás do recente êxito de bilheteiras ÁGORA, de Alejandro Aménabar.

E tem uma fotografia excepcional. E é em polaco. Sem legendas. E tem três horas de duração. Boa sessão.

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Oscars 2010: e os nomeados são...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010




Algumas surpresas, mas sobretudo muita previsibilidade. Como sempre, aliás...

Best Supporting Actress
Penelope Cruz, Nine
Vera Farmiga, Up in the Air
Maggie Gyllenhaal, Crazy Heart
Anna Kendrick, Up in the Air
Mo'nique, Precious

Best Supporting Actor
Matt Damon, Invictus
Woody Harrelson, The Messenger
Christopher Plummer, The Last Station
Stanley Tucci, The Lovely Bones
Christoph Waltz, Inglourious Basterds

Best Actress
Sandra Bullock, The Blind Side
Helen Mirren, The Last Station
Carey Mulligan, An Education
Gabourey Sidibe, Precious
Meryl Streep, Julie & Julia

Best Actor
Jeff Bridges, Crazy Heart
George Clooney, Up in the Air
Colin Firth, A Single Man
Morgan Freeman, Invictus
Jeremy Renner, The Hurt Locker

Best Director
James Cameron, Avatar
Kathryn Bigelow, The Hurt Locker
Quentin Tarantino, Inglourious Basterds
Lee Daniels, Precious
Jason Reitman, Up in the Air

Original Screenplay
Mark Boal, The Hurt Locker
Quentin Tarantino, Inglourious Basterds
Alessandro Camon & Oren Moverman, The Messenger
Joel & Ethan Coen, A Serious Man
Pete Docter, Bob Peterson, & Thomas McCarthy, Up

Adapted Screenplay
Neil Blomkamp & Terri Tatchell, District 9
Nick Hornby, An Education
Jesse Armstrong, Simon Blackwell, Armando Ianucci, & Tony Roche, In the Loop
Geoffrey Fletcher, Precious
Jason Reitman & Sheldon Turner, Up in the Air

Foreign Language Film
Ajami (Israel)
El secreto de sus ojos (Argentina)
The Milk of Sorrow (Peru)
Un Prophete (France)
The White Ribbon (Germany)

Animated Film
Coraline
Fantastic Mr. Fox
The Princess and the Frog
The Secret of Kells
Up

Best Picture
Avatar
The Blind Side
District 9
An Education
The Hurt Locker
Inglourious Basterds
Precious
A Serious Man
Up
Up in the Air


Será este o ano de AVATAR? Tudo indica que sim, mas já é também tradição haver prémios inesperados para filmes muito menos cotados, por isso resta-nos esperar... Ah, e Meryl Streep soma mais uma nomeação! Será esta a 13ª ou a 14ª? Já lhe perdi a conta!
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Filme do dia: La Planète Sauvage


No post exactamente abaixo, ter falado de Roland Topor fez-me lembrar um filme de animação francês que é hoje considerado um clássico de culto: LA PLANÈTE SAUVAGE de René Laloux. Colaboração entre Laloux e Topor a partir de uma história e desenhos deste último, este sui generis conto futurista em forma de parábola está cheio de pormenores imaginativos sublinhados por uma banda-sonora psicadélica composta por Alain Goraguer que não lhe fica nada atrás.

A história faz um pouco lembrar um outro clássico da época - PLANET OF THE APES - o que aconteceria se os humanos fossem tratados como animais inferiores? Só que em vez de símios, temos verdadeiros extra-terrestres, azuis e enormes, e com avançadíssimos poderes telepáticos. E falando em extra-terrestres azuis: se foram ver o AVATAR e gostaram e pasmaram com a fauna e a flora de Pandora, então este filme é para vocês. Boa sessão.

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Filme do dia: Viy

sábado, 16 de janeiro de 2010


Devo dizer que ter visto o ASHIK KERIB me despertou a paixão que eu tenho por tudo que vem daqueles lados da Europa, principalmente da enorme nação que é a Rússia e da sua incrível cultura. Políticas à parte, a sua iconografia e imaginário são únicos e deixam qualquer um a sonhar um dia por lá passar. De preferência no Verão, claro!

Venho, por isso, aqui recomendar um filme que vi lá para as bandas do Fantasporto um destes anos de nome VIY, do génio Alexander Ptushko, um realizador que dedicou toda a sua vida a fazer filmes sobre temas fantásticos. Esta foi a sua única incursão pelo cinema de terror e é uma delícia. Baseado num conto de Gogol, conta-nos a história de um seminarista que se vai ver a braços com um sério caso de possessão demoníaca e de assombrações. Este ano irá ver a luz do dia um remake deste maravilhoso filme feito também este na terra dos czares. Mas se quiserem ver o original, é só clicar "Play". Até já e boa sessão.

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Filme do dia: O querido Lilás

domingo, 3 de janeiro de 2010


Neste 2010, estou a fazer questão de começar o ano em grande e que melhor sugestão de matinée do que esta, o delírio humorístico que Artur Semedo criou juntamente com Herman José - O QUERIDO LILÁS?

Antes de mais nada, um pequeno prefácio: porque cargas de água é que ainda não foi editado em DVD nenhum filme do grande, do único, do genial Artur Semedo? Criador de obras seminais e marcantes da filmografia portuguesa tais como O REI DAS BERLENGAS, O BARÃO DE ALTAMIRA ou ainda CRIME DE LUXO, Semedo é um realizador a (re)descobrir e uma voz inigualável no campo da sátira no cinema português. Se gostam do espírito dos Monty Python, então vão adorar os filmes dele. Com a certeza absoluta, isso vos garanto.

Mas passando ao filme em questão, O QUERIDO LILÁS conta a história de Belladonna, uma grande actriz de teatro (interpretada por um genial Herman José), que vai ter um filho que lhe é retirado das suas mãos à nascença com a pretensão de ter nascido morto. Mais tarde, encontrá-lo-á já homem (num papel também interpretado por Herman) e vai iniciar uma relação escandalosa com ele com desfecho trágico. Se isto vos soa familiar, têm toda a razão: o enredo foi "emprestado" da Tragédia da Rua das Flores, obra essa, aliás, que iremos ver Belladonna a ensaiar durante o filme num toque de metalinguagem cinematográfica delicioso.

Bem, mas deixemo-nos de mais conversa e toca mas é a ver o filme! Já agora, mais uma achega, desta feita à Lusomundo - para quando o DVD com comentário audio do Herman José? Posso sonhar, não?

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Top 5 filmes: um Natal fora do normal

domingo, 20 de dezembro de 2009


Se pertencem àquele grupo de pessoas que já não consegue mais ver ou ouvir falar do HOME ALONE, se para vocês THE SOUND OF MUSIC é tudo menos MÚSICA NO CORAÇÃO, se estão quase a perder a fé que existam por aí filmes de e sobre o Natal que não envolvam personagens inverosímeis de tão bonzinhos que são, então este Top também não é para vocês. Não que eu vos vá recomendar filmes que passem nas aulas de Religião e Moral. Não, não é isso, também. Eu explico: os próximos filmes que se seguem não são recomendáveis a palatos refinados ou a espectadores que não gostem do bizarro. Não, senhor. São para aqueles que procuram um Natal fora do normal, exactamente como diz no título. Acompanhem-me.

5º Ex-aequo: How The Grinch Stole Christmas de Ron Howard e A Christmas Carol de Robert Zemeckis

Ok, por favor criem um blog ou uma petição online para difundir o seguinte: Jim Carrey, já chega de nos assustares com as tuas “tentativas” de bons filmes de Natal. É que já começa a ser bizarro demais. Primeiro, tivemos que levar com a tua perturbante interpretação do personagem clássico do Dr. Seuss, o Grinch (até o Michael Jackson - paz à sua alma - se deve ter admirado com as parecenças físicas…). Agora, como se não bastasse, voltas-nos a assombrar com um arrepiante Mr. Scrooge, totalmente digital, mas não menos assustador. Só de olhar para as tuas fotos aqui em cima, já me arrepio todo. E asseguro-te que não é do frio que está!


4º: The March of the Wooden Soldiers de Gus Meins e Charley Rogers

Este filme com Laurel e Hardy (o Bucha e o Estica, para os tugas in da house), embora não seja propriamente sobre o Natal, está associado a ele porque é um filme que lá para os States é passado inúmeras vezes na televisão nesta altura do ano e, além disso, é baseado no clássico Babes in Toyland . Na altura, foi considerado uma super-produção e, diga-se de passagem, o dinheiro está bem lá à vista. Aqui, a fasquia do nível de bizarria é elevada uns pontos porque chega-se a uma altura do filme em que já começa a ficar desconfortavelmente estranho ver tanta gente tão mal maquiada e tantos cenários artificiais. Sinais do tempo, eu sei, mas não deixa de ser menos bizarro por causa disso.

3º: Christmas on Mars de Wayne Coyne

Quem diria que os Flaming Lips algum dia iriam fazer um filme? E de Natal, nem mais. Filmado a preto e branco, com algumas cenas a cores e muita estranheza à mistura, este é um clássico contemporâneo a descobrir urgentemente. Uma mistura de ERASERHEAD, 2001: A SPACE ODYSSEY e qualquer um dos melodramas de Frank Capra, CHRISTMAS ON MARS cativa porque está feito com muita sinceridade e muita vontade de criar algo genuinamente diferente. Ah, e no DVD de edição americana, as únicas legendas disponíveis são em russo e em verde!


Santa Claus Conquers The Martians de Nicholas Webster

E continuando em Marte, digamos que este filme seria o filme de Natal que Ed Wood faria se estivesse para aí virado. Dizer que é de baixo orçamento seria uma redundância. Dizer que é bizarro, um pleonasmo. Mas se algum dia quiseram ver um filme onde o Pai Natal é raptado por marcianos porque os seus pequenos e verdes filhos estão a ser expostos diariamente às suas influências benéficas através da televisão (eu sei, não me perguntem!), então este filme é para vocês. Pia Zadora tem aqui o seu primeiro papel no cinema. Enquanto criança, claro.


1º: Santa Claus de René Cardona

À partida, um filme com um título assim tão inócuo não suscitaria qualquer tipo de reacções virulentas de pasmo e de queixos caídos como esta pérola mexicana provoca a qualquer espectador que se aventure a vê-la. Mas o que é certo é que ela está neste primeiro lugar por alguma razão. Se eu vos disser que, além do Pai Natal é claro, os seus personagens incluem o Diabo, o mago Merlin e um arraial de crianças de todo o mundo que nos vão cantar e espantar com as suas canções natalícias próprias dos seus países de origem e que o enredo consiste numa batalha entre o bem e o mal pela felicidade de uma menina pobrezinha a quem o referido Mafarrico vai tentar e atormentar até fazerem chorar o mais insensível dos espectadores, então estamos perante um clássico do bizarro. Especial destaque para os cenários criados para a casa do Pai Natal e para uma cena passada no Inferno (!), onde temos direito a ver uma dança de diabinhos que parece tiradinha do segmento NIGHT ON BALD MOUNTAIN do mítico filme da Disney datado de 1940, FANTASIA. É aqui que os queixos começam a cair sem nos darmos por ela.

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Filme do Dia: Alice in Wonderland (1933)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009


Agora que estamos com 2010 mesmo à porta, concerteza um dos filmes mais aguardados do próximo ano irá ser ALICE IN WONDERLAND de Tim Burton. E o que é certo é que a máquina de Hollywood já está a preparar-se para toda uma loucura à volta do novo delírio do realizador de SWEENEY TODD. Uma prova disso é a Universal ter recentemente anunciado que irá lançar em DVD um dos seus títulos mais requisitados: a sua versão do livro de Lewis Carroll que data de 1933 e conta, entre outros grandes nomes da época, com a participação do cómico W. C. Fields (este é um título já há muito aguardado pelos seus fãs).

Enquanto isso não acontece - o DVD está agendado para sair a 2 de Março nos Estados Unidos, mesmo a tempo da estreia do filme de Burton - convido-vos a ver o filme às tranches no YouTube (isto é, enquanto ele está por lá!). Especial menção para os efeitos especiais que, para a altura, estão avançadíssimos. Até já.

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Filme do dia: Ghazab

terça-feira, 8 de dezembro de 2009



Ok, para que fique bem assente: eu não estou com este post a querer tirar o lugar a ninguém neste blog (cough, cough, Barbie-o, cough, cough), mas o que é certo é que o filme que eu trago aqui hoje tem uma razão de ser. Após me terem emprestado uns certos DVDs de Bollywood (cough, cough, idem aspas aspas, cough, cough), decidi meter mãos à obra e tentar descobrir nos meandro da internet um filme que vi lá para as bandas do Rivoli, por altura do 25º Aniversário do Fantasporto. Nesse ano, estava agendada uma retrospectiva de cinema indiano musical, vulgo Bollywood, e houve um filme que me marcou pela sua ingenuidade, entretenimento e bizarria. Anos se passaram sem que eu me lembrasse do seu nome ou tivesse pachorra para o procurar com mais minúcia. Pois acontece que, após uma hora de busca intensa online, consegui encontrá-lo! Chama-se GHAZAB e tem como actor principal a lenda Dharmendra, um senhor que já participou em muitos sucessos de Bollywood e que também fez muito para tornar esses mesmos filmes onde entrou verdadeiros êxitos.

Não me perguntem muito sobre a sua história, porque já vai há muito tempo que o vi, mas do que me lembro, sei que começa num ambiente muito rural, de uma maneira muito pacata e com lindos momentos musicais, e a pouco e pouco vai-se tornando cada vez mais estranho, até que atinge o seu momento máximo no seu final, dentro de uma gruta, com ídolos indianos gigantes de pedra a cairem por entre explosões e uma banda-sonora delirante.

Por isso, convido-vos a visionarem comigo esta pérola de entretenimento musical, porque merece mesmo a pena, acreditem! Olhem, pelo menos para mim vai ser interessante rever um filme que, apesar de não ser uma obra-prima, me marcou pelas suas qualidades de entretenimento. E se isso não é uma marca de um bom filme, eu então não sei o que é!

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