Falar de cinema, cinema e mais cinema. Porque nunca é demais. Somos assumidamente cinéfilos, cinéfagos e cinecratas. Por isso não se metam connosco. E sim, somos maus. Mas não fazemos fitas.
Pois é, quer acreditem, quer não, Jack Nicholson vai voltar às lides dos filmes de terror depois do clássico THE SHINING e do não-clássico WOLF. O nome do filme e o conteúdo do seu enredo ainda continua fechado a sete chaves, mas o que já se conseguiu apurar até agora é que irá ser uma história de vampiros (dah...) e que Nicholson irá desempenhar um papel de caçador de vampiros. Exactamente. A meu ver, o lendário actor ainda daria um óptimo e arrepiante vampiro (como poderão comprovar pela brincadeira acima mostrada), mas pelos vistos o seu prazo de mauzão da fita já expirou...
O que me assusta no meio disto tudo é que, pelo andar da carroça, um dia destes ainda vamos ver o Clint Eastwood a fazer de Conde Vlad... E isto sim, seria assustador!
E que melhor coisinha para começar a semaninha do que um filme de animação cubano com vampiros e gangsters à mistura? E depois digam lá que eu não vos trato bem...
E já que esta semana tivemos muita vampiragem aqui pelo Maus, que tal terminar em grande com um Topzito dedicado aos mais bizarros filmes de vampiros de que me consegui lembrar? Fui buscá-los aos quatro cantos do mundo e a variedade aqui é tão grande que só prova mesmo que estas criaturinhas pálidas e aterradoras ainda vão andar entre nós por muito mais tempo. Também, é suposto serem imortais, correcto? Comecemos então. Ah!, desta vez não há lugares porque, como poderão ver, eles são todos tão bizarros à sua maneira que seria até um pouco injusto decidir qual estaria nesta ou naquela posição. Aqui ficam eles então, todos em pé de igualdade.
E começamos fortes! O que é que acontece quando se junta Blaxploitation com Vampirismo? Acontece este BLACULA, that's what motherfucker! Este mano gosta mesmo é de ferrar pescocinhos de damas - e elas, de serem ferradas por ele. Já se sabe, once you go black, you never go back!
Também conhecido como DRACULA IN PAKISTAN, este delírio Bollywood com canções à mistura e tudo, consegue transpôr o original de Bram Stoker para a Índia como se nada fosse. Neste caso, o vampiro em questão era um cientista que ficou assim virado para o sangue após beber uma mistura que, em princípio, lhe daria a imortalidade. A coisa deu para o torto, claro. Como estão a ver, isto é Dr. Jekyll and Mr. Hyde, Dracula e drama musical tudo à mistura numa grande masala! Imperdível.
Guillermo Del Toro prova aqui com a sua primeiríssima longa-metragem que já era um gajo com ideias e visão. Aqui o vampirismo é originado por um antiquíssimo artefacto em forma de escaravelho dourado feito por um alquimista do século XVI que, mais uma vez, está feito para garantir a imortalidade a quem o utilizar (mas será que estes gajos não aprendem que essa cena de vida eterna é muito má onda? Dá sempre para o torto!). O interessante da coisa é que nos mostra o vampirismo como uma dependência. Ah!, e tem como personagem principal um velhote dono de um antiquário que vai utilizar esse mesmo artefacto para se sentir mais jovem e viril. Como nós o percebemos...
Dracula no México soa-vos mal? Pois a este señores não. Se há coisas que os países da América Latina sempre souberam fazer de maneira... como dizer, ímpar... foi pegar em aspectos culturais de outros países e introduzi-los na sua cultura sem pensar muito na coisa. Os indianos têm a masala, os mexicanos... a piñata...? Bem hajam, porque não há realmente que ser snob nestas coisas da cultura!
Ok, mais uma: o que é que acontece quando se pega nos filmes da Hammer e se mistura com artes marciais? Acontece esta coisa assustadora que estão a ver em cima! Feito numa altura em que os filmes do Bruce Lee estavam "a dar" (dinheiro, claro), este filme faz-me lembrar o Dragon Ball: "Fu-são!".
E se a moda não pegou muito cá para os nossos lados, pelos vistos lá para a Ásia a coisa deu resultado. E o resultado é outra bizarria, desta feita vinda all the way from Hong Kong. Os vampiros aqui saltam. Alto. Muito alto. I kid you not. Só vendo para crerem. Fez grande sucesso e é hoje um dos clássicos do cinema de terror asiático. It's a strange world, I know.
E continuamos no Oriente, desta feita na Coreia do Sul onde uma história carregada de simbolismos religiosos nos provoca com o poder da sua mensagem e das suas imagens, criadas nada mais, nada menos do que pelo enfant terrible daquelas bandas: Park Chan-wook, o Sr. Oldboy. A surpresa aqui é vermos um padre católico sul-coreano a combater os seus demónios pessoais e a falhar miseravelmente. E a apaixonar-se pelo meio. Soa-vos a um bom filme? Então é porque é mesmo. Altamente recomendável.
Mas já em 1979 alguém se tinha lembrado de fazer um filme sobre vampiros com esse nome. E na Austrália, no less (eu disse-vos que os fui buscar aos quatro cantos do mundo, não disse? Não estava a brincar, como vêem). Neste filme vamo-nos deparar com uma comunidade de vampiros que usam os humanos como fonte de subsistência e onde os criam em quintas para assegurar a sua sanguinária sobrevivência. Se isto vos soa a um outro filme que por aí anda que fala mais ou menos da mesma coisa (cof... DAYBREAKERS... cof...), então não estão a imaginar coisas. E agora damos um salto através do Pacífico em direcção aos good old U. S. of A.
Sim, este filme é exactamente tudo aquilo que estão a pensar. E ainda mais! Só para terem uma ideia da natureza desta besta, deixo-vos com a descrição que aparece no Imdb: "Kung-Fu Action / Comedy / Horror / Musical about the second coming". Para mim isto é o suficiente para o incluir em qualquer lista que se preze.
E fechamos com chave de ouro com um dos mais bizarros filmes saídos do Japão ou de qualquer outro país! Esta demência visual é de visão obrigatória para todos os fãs de filmes de vampiros! O meu sonho é pôr um fã da saga Twilight a ver isto com aqueles grampos nos olhos à la Laranja Mecânica! Bem que eles merecem, não é? Bom Domingo, pessoal!
Já que estamos numa de vampiros esta semana aqui no Maus, então porque não continuar nessa veia - ou melhor, vertente? Cof, cof...
Lembrei-me de vos trazer aqui hoje uma trilogia de vampiros à japonesa que data dos inícios dos 70 e que foram realizados por Michio Yamamoto. Esse trio de filmes foi apelidado de BLOODTHIRSTY TRILOGY e é composto por VAMPIRE DOLL, LAKE OF DRACULA e EVIL OF DRACULA (estes são os títulos mais utilizados, mas se fizerem uma busca no IMDB, de certezinha que encontrarão uma infinidade de variantes; sinais dos tempos, é o que é). Se a vossa próxima pergunta for acerca do fio condutor que une estes três filmes, ou seja, se a história é só uma (à laia de TWILIGHT), a resposta é "Não". A única coisa que os une é mesmo o tema do vampirismo. E ainda bem que assim é, porque torna-se mais fácil vê-los separadamente sem os impedimentos de sabermos a historinha toda, tim-tim por tim-tim.
O curioso dos filmes é que de japonês têm muito pouco. Eu explico: se estão à espera de verem sair vampiros samurai dos caixões ou de cenários minimalistas, então desenganem-se. A estética é toda tiradinha da Hammer (sim, há mansões com candelabros e tudo) e os filmes têm todos um look muito contemporâneo (há inclusivé cenas urbanas com moçoilas de mini-saia a fazer compras). Mas não deixem estes... "pormenores" tirarem-vos a vontade de verem estes filmes. Não, mesmo. Se há uma coisa que os japoneses faziam muito bem nesta altura era filmar em Scope com uma mestria e um savoir-faire que era só deles e esta BLOODTHIRSTY TRILOGY não foge à regra - são muito agradáveis à vista e enchem as medidas de quem aprecia estas coisas. Depois, têm um fascínio "camp" único que consiste em ver nipónicos a utilizarem tradições e temas cinematográficos exclusivamente ocidentais (ou pelo menos, maioritariamente ocidentais até então). É quase como um dia destes vermos o Robert Rodriguez a fazer um filme sobre os Onryõ. O que havia de ser giro, confesso.
Estes três filmes não são, no entanto, muito conhecidos no Ocidente (e acho que nem no Japão), por isso se conseguirem e se gostarem do género, vejam-nos porque valem a pena. É que são mesmo divertidos in a creepy kind of way. Eu só gostava era que alguém tivesse a brilhante ideia de os editar por cá com a "prendinha" que a edição japonesa trazia: um mealheiro como a imagem que estão a ver em baixo. Isso é que era!
Neste filme fuderoso, nosso querido e aclamado Chumbinho atua em sua forma vampiresca, apreciador de modess ensangüentados, porque além de anão, o minivampiro é banguelo!
Agora, digam-me em pura verdade: quem é que não quer ver isto?! Delicioso! Chumbinho é o meu novo herói!
E do Purgatório dos filmes maus dos anos 80 (uma das maiores ante-câmaras do Inferno dos filmes de série Z de que há conhecimento), chega-nos este ROCKULA! Desafiando qualquer explicação e com menos defensores da sua causa do que fãs do General Idi Amin Dada, conta-nos a história de... bem, mais vale verem mesmo o trailer porque qualquer comentário meu só estragaria a magia de ver isto sem prévia preparação. Mais uma pérola da Cannon, para os conhecedores...
E já que o realizador deste filme - Jean Rollin - pertence à nossa mui estimada galeria de Maus da Fita, porque não falar sobre um dos seus filmes mais conhecidos visto que este mês no Maus estamos centrados no Cinema de Terror e/ou Fantástico? Pois falemos então de REQUIEM POUR UN VAMPIRE.
E começamos a todo o gás, com um perseguição a alta velocidade com as nossas duas heroínas mascaradas de palhaços, não se sabe muito bem porquê. E continuamos sem saber durante muito tempo, isto porque este filme é para o cinema de terror o que os filmes de Kim Ki-duk são para o cinema de autor. Confusos? Ok, a comparação é foleira, mas o que é certo é que os diálogos escasseiam neste filme como a água no deserto. O que resulta e muito bem, por sinal, ajudando à carga de mistério que neste filme se exige. Os diálogos nos filmes de Rollin nunca foram o seu forte (nem os enredos, já agora...), o que faz com que a sua força seja sobretudo visual. Não há como escaparmos que estamos a ver um filme de Rollin, porque a sua estética é facilmente identificável.
Temos então as duas heroínas principais da praxe (Rollin é um gajo fixe porque as suas gajas andam sempre aos pares) que inevitavelmente se vão ver metidas em encrenca da grossa, neste caso quase enterradas vivas e seguidamente perseguidas por sugadores de sangue num castelo abandonado. E sugadores de sangue e não vampiros, porquê? Porque vampiro "vampiro" só temos um neste filme e é nada mais, nada menos do que o último da sua estirpe. E até não é mau diabo, o que não se pode dizer o mesmo dos seus seguidores, sempre sedentos do líquido cardinal. E de sexo. Muito sexo.
Como estão a ver, e se conhecem um pouquinho da obra deste senhor, temos o protótipo do filme que Rollin iria fazer ad nauseum durante o resto da sua carreira, para gáudio dos seus fãs, está claro. Porque quem gosta a sério disto, quer sempre mais, não é?
eu hoje descobri o que quero ser quando for grande: vampira e lésbica. Os meus pais não acharam muita piada a esta minha decisão, mas não faz mal. Não vai ser por muito tempo que me irão impedir de eu seguir a minha verdadeira vocação: cortar pescoços com os meus caninos e sugar o cardinal líquido que escorre da carótida. Já quem achou mais piada a isto tudo foi a minha melhor amiga. Já brincamos a seguidoras da divina Sapho e tanto ela como eu gostamos da experiência. Desculpa a linguagem mais cuidada do que me é habitual, mas é que tenho de aprender a ser assim - mais poética e trágica.
Este grande senhor merece o seu lugar de honra aqui no Maus por duas grandes razões: a primeira sendo porque sempre foi um artista fiel aos seus princípios e que, não obstante a constante falta de dinheiro que teve ao longo da sua carreira, nunca deixou de produzir objectos de culto das suas mangas como se de um prestidigitador se tratasse. A segunda, porque já é hora de chamar à razão essas massas disformes de fãs de vampiros que enchem as salas de cinema dos dias que correm e que devoram livros onde são pregados valores tão católicos como a virgindade e a abstinência (eu não sou vampiro, mas se fosse tinha soltado agora um grito de horror seguido de um espasmo ocular). Fãs de Twilight, vocês sabem que esta última tacada foi para vocês. Porque convenhamos: os vampiros querem-se maliciosos, belos, promíscuos, assustadores e polissexuais, não aquelas aberrações boazinhas, retraídas e vegetarianas.
Agora, o que é que uma razão tem a ver com a outra, já a seguir. É que este honradíssimo senhor dedicou a sua vida ao cinema de terror, dando especial ênfase aos filmes de vampiros, sendo inclusive autor do primeiríssimo filme de vampiros em terras gálicas. Fiquem com um apanhado de alguns deles.
Ele aí está, o trailer para o "aguardadíssimo" remake americano do grande êxito do cinema de terror do ano passado: LET THE RIGHT ONE IN, o filme sueco que cativou a cinefilia mundial. E "aguardadíssimo" entre aspas, claro porque desde que se anunciou que os yankies iam fazer uma versão à sua maneira, bem, já devem imaginar as caras de espanto, repulsa e vómito compulsivo dos fãs mais ferrenhos do filme. O trailer, como dizia, aí está, por isso façam o favor de o ver. Não está mau de todo. Mas também não me convence. De todo.
Um filme japonês de 1966 com Sonny Chiba num dos papéis principais, filmado num glorioso scope, com um super-herói de aspecto cadavérico que voa pelos ares, solta raios laser e tem um morcego dourado como seu ajudante na luta contra o mal. Digam-me lá? O que há para não gostar num delírio como este? Nada, não é?
Pois foi isso tudo que eu vi ontem à noite no conforto do meu quarto e com as luzes bem apagadinhas. THE GOLDEN BAT é o seu nome e, pelos vistos, foi um dos primeiros super-heróis japoneses a chegar ao grande ecrã. Agora, digam-me uma coisa: aquela "coisa" que estão a ver no poster ao lado não tem lá grande aspecto de super-herói, pois não? É que ele esteve enterrado durante milhares de anos numa espécie de sarcófago feita perfeita múmia, sarcófago esse que foi descoberto quando após violentos ataques extraterrestres fizeram com que uma ilha submersa voltasse à superfície (se as palavras "Atlântida" e "no f&%ing way" vieram às vossa cabeças, considerem-se pessoas razoáveis). Sim, é que já me esquecia de dizer que o nosso amigo Golden Bat (ou Ôggon Batto, em japonês), foi ressuscitado para evitar uma invasão alienígena. Oh, yeah.
Deixo-vos com o trailer e, quiçá, com água na boca para verem esta maravilha.
Este primeiro filme do francês Jean Rollin é uma anomalia na cinematografia do seu país natal e o seu autor continua a ser também ele uma excepção não só no cinema de terror como no Cinema em geral. Eu passo a explicar.
O cinema francês nunca teve propriamente uma tradição de produzir filmes de terror até bem há pouco tempo (esta nova vaga de filmes slasher gálicos com grandes doses de sangue, brutalidade e tortura começou devido ao grande sucesso de HAUTE TENSION), por isso quando Rollin começa a dar os seus primeiros passos na 7ª Arte, não havia por lá grande entusiasmo em gastar dinheiro com estas coisas. Somente Georges Franjú (autor do belíssimo LES YEUX SANS VISAGE) e poucos mais se dedicavam à nobre arte de fazer arrepiar espectadores. O que não quer dizer que na França não gostassem deste tipo de entretenimento, por assim dizer. De todo. Se bem se recordam, foram eles os percussores do Théatre du Grand Guignol, uma espécie de teatro onde as representações consistiam em dramatizar grandes actos de violência, tortura e barbaridade como se da mais alta arte se tratasse. Mas continuemos.
Quando LE VIOL DU VAMPIRE é lançado nas salas de cinema, os resultados são, no mínimo, polémicos. Há mesmo tumultos a serem registados em alguns locais, tal é a indignação por parte de certos espectadores. Porquê, perguntam vocês e muito bem. Bem, para começar, o filme está feito com uma urgência/demência que mais parece que o mundo vai acabar a todo o momento, por isso toca lá a despachar a rodagem. Há realmente toda uma sensação de histerismo por parte dos actores e por parte da montagem que transparece para fora da tela. Depois, a quantidade de nudez e actos profanos (e até de contextos anacrónicos) são debitados com tal frenesim que deve ter sido um pouco difícil para os espectadores da altura consiguirem assimilar isto tudo sem se sentirem, no mínimo, ultrajados. É claro que para os nossos olhos de cinéfilos do século XXI o filme já não tem a mesma força, mas há passagens e certas cenas que ainda hoje impressionam pelo seu poder visual.
Resumindo e concluindo: quando um filme se torna num succés de scandale, é claro que o realizador tem logo carta verde para fazer mais do mesmo. E foi exacta e literalmente isso mesmo que Rollin fez durante o resto da sua carreira: digamos que na sua filmografia é raro não encontrar um filme seu que não tenha um enredo que envolva vampiras nuas (quase sempre lésbicas, como convém a estas andanças e, aliás, o seu próximo filme chamar-se-ia exactamente LA VAMPIRE NUE), grandes matanças e cada vez maiores doses de sangue, e o mar. Sim, o mar. Como vêem, estamos perante alguém que possui todos os requisitos de um auteur maldito. Alguém que não olha a meios para fazer passar a sua visão, tenha o filme sucesso comercial ou não. Porque isso para aqui não interessa nada. Longa vida à sua raça.
Eu ainda não apresentei a programação de cinema para este mês no Pátio por dois simples motivos: primeiro, porque o Pátio vai estar de férias de 5 a 22 de Outubro, o que quer dizer que o que eu tinha em mente passar lá foi por água abaixo; e segundo, porque como agora tenho um emprego que não me deixa lá muito tempo livre para estas coisas, se calhar vou ter de abandonar este espaço que me dava muito prazer programar e coordenar. Ou seja, embora a programação deste mês pudesse perfeitamente ser adiada para o próximo, o mais certo é isso não acontecer. Ponto final? Só o tempo o dirá. Entretanto, fiquem com o poster que eu já tinha preparadinho para todo um mês dedicado aos vampiros.
Pois eu inauguro o mês a falar do Rocky Horror Picture Show então!
Quem nunca viu este filme não imagina o que está a perder...
Adaptado do teatro, conta como os recém-casados Brad e Janet (Barry Bostwick e Susan Sarandon) tendo uma avaria numa zona remota, acabam por ir parar ao castelo do Dr. Frank-N-Furter o travesti desempenhado por Tim Curry.
Pois bem, chegaram em boa hora pois era na realidade um dia importante para as gentes de Transsexual (o planeta) da galáxia Transylvania, o Dr. Frank-N-Furter iria revelar a sua mais recente criação: um jovem de seu nome Rocky Horror, concebido para “aliviar a tensão” do cientista.
Tudo corre bem até os mortos regressarem, de moto, a cantar, para novamente serem mortos e servidos à refeição.
Com muita cantoria (16 músicas entre as quais algumas com o Meat Loaf), muitos avanços sexuais do Dr. Frank-N-Furter, ditos espirituosos por parte de Riff Raff (Richard O’Brien) e momentos de rara sensualidade com Magenta e Columbia este maravilhoso monumento do entretenimento dá uma satisfação muito grande a quem o vê. Todo o ambiente de filme de ficção científica vintage e história são altamente cativantes, sendo os momentos musicais – na sua maioria – muito divertidos.
Este filme despertou um grande culto em diversos quadrantes, sendo comum encontrar nas suas exibições em cinemas imensos espectadores vestidos como personagens do filme, cantando e coreografando alegremente. Eu nunca tive essa oportunidade e tenho pena, gostaria de um dia, também eu cantar o Time Warp num cinema...
No bom espírito do filme decidi que esta entrada seria uma double feature e assim, falarei em seguida do The Hunger, também com Susan Sarandon.
Um relativo desconhecido de muitos amantes do género mais vampiresco, esta pérola, realizada por Tony Scott em 1983, conta com a participação de Catherine Deneuve e David Bowie nos principais papeis de Miriam e John.
Logo no início do filme há uma cena com os Bauhaus a tocarem que realmente é memorável para aqueles que como eu nutrem um especial carinho por eles. Segue-se uma sequência de caçada e repasto que nos deixa logo mais à vontade.
Os gajos não mordem, não, como boa gente de linhagem egípcia, eles cortam a garganta com uma pequena lâmina que guardam nuns ankhs... espertos.
O filme é bastante existencialista em boa verdade, e aborda uma situação interessante e normalmente não tratada noutros filmes do género: o envelhecimento. Aqui alguns vampiros envelhecem a partir de determinada altura, sofrendo de uma desconhecida mas nem por isso fatal doença.
É dramático por isto, os vampiros envelhecem mas não morrem. Definham armazenados em caixões alinhados no sotão; pelo menos os amantes de Miriam.
Entra Susan Sarandon como Sarah Roberts, especialista em Hematologia que realiza estudos de envelhecimento em babuínos. Sim, que Miriam, habituada a perder outros amantes, rapidamente se prepara para substituir John por Sarah que prontamente inicia nas misteriosas artes negras do sangue e da vida eterna.
Acabei de o ver há apenas algumas horas atrás. Um desperdício de tempo e de dinheiro. Ainda bem que hoje é 2ª feira e os bilhetes são mais baratos. Querem que liste as razões (é que não me apetece lá muito expandir-me em desafios literários para descrever a ineptitude da coisa...)? Ok, então aqui vai: as falas dos actores japoneses pareciam dobradas (e mal...); os efeitos especiais são muito fracos, principalmente numa cena de transformação que mais parecia saída de um qualquer jogo video, com direito a explosões manhosas e tudo; o monstro, ou besta, ou lá o que era aquela coisa alada, estava muito mal feito e o CGI era francamente amador; a história continua confusa (tal como no anime. E no manga. E no jogo de video. Não se esqueçam que este produto - que não pode ser apelidado de cinema - faz parte de um franchise); o sangue, que deveria ser um dos aspectos principais neste filme (ver título) é muito mau, com uma aparência aguada e em forma de bolhas quando esguichado, em vez de gueisers, como deveria ser.
Passem ao lado desta "coisa". Eu quase já não me lembro do que vi e ainda nem sequer passaram 3 horas.
Eu não avisei que 2009 iria ser o ano dos vampiros? 2008 já previa isso... É da maneira que dão um bocadinho de descanso aos zombies. Também, é suposto eles estarem mortos, correcto? Por isso, paz às suas almas.
Bem, por onde começar? Ok, sem contarmos com o LESBIAN VAMPIRE KILLERS (já aqui tratado), podem esperar ser atacados por estas criaturas sanguinárias literalmente por todas as frentes. Senão vejamos: Alan Ball, o criador da clássica série televisiva SIX FEET UNDER, volta à carga com a segunda temporada de TRUE BLOOD, uma crónica com algo de "pulp" que conta as aventuras e desventuras de uma comunidade de vampiros no sul da América. O enredo até é bem interessante: os vampiros deixaram de beber sangue humano, tendo sido encontrado um substituto que é comercializado em latas de refrigerante com o nome de... TRU BLOOD, assim mesmo, sem o E. Que ghetto que nós estamos... O que é certo é que os vampiros são agora aceites na sociedade como pessoas mais ou menos comuns. Pois. Os humanos é que ainda não os aceitam lá muito bem, o que provoca nos vampiros um certo receio de "sair do caixão"... Realmente, deve ser um bocadinho como "sair do armário": nunca se sabe qual vai ser a reacção das pessoas. Há quem não se importe, digo eu. E diz também a Anna Paquin, a menina aqui do poster e a personagem principal da série que se vai envolver (obviamente, senão não havia série!) com a vampiragem local.
Saindo do pequeno écrã e saltando para o grande, temos duas igualmente grandes estreias no horizonte. Começando pela mais aguardada por tudo que é teenager por esse mundo fora, o segundo filme da Saga Twilight - NEW MOON - já tem poster e podem dar uma vistaça de olhos à coisa aqui à vossa esquerda. Pelos vistos, vamos ter direito a triângulos amorosos e tudo. Não me perguntem é mais pormenores que eu não os sei. Não estavam à espera que eu tivesse lido os livros, pois não?!
O filme só estreia lá para Novembro mas o grau de antecipação já é tão grande que nos próximos prémios MTV irá passar um clip do filmezito para gáudio de milhões de teenagers inconscientes. E inconsequentes, digo eu. Mas se querem que eu vos diga a verdade, verdadinha, também estou assaz curioso para ver como a história se desenrola. Que querem, o bichinho dos vampiros mordeu-me o pescoço.
Mas o que eu quero mesmo ver é este, aqui em cima: BLOOD THE LAST VAMPIRE. Se bem se lembram, este título pertence a todo um franchise multimédia acerca da história da menina do poster, um halfling com mais de 400 anos e a quem querem dar cabo da sua raça.
Tanto o anime, como o manga, como o jogo de PC, como, penso eu, o filme a estrear, contam uma parte da sua história, convidando assim o espectador, leitor, ou jogador a uma maior interacção com todo o enredo. A ideia é realmente muito boa e é pena que não tenha sido mais aproveitada no Ocidente. Normalmente, o que acontece é de maneira inversa: se um filme tiver muito sucesso, dá origem ao jogo de PC, ao comic, ao desenho animado e por aí adiante. Confirmem no trailer em baixo se vale a pena ou não.
Enquanto isso, vou-me deleitando com o CD da Banda Sonora de THIRST acabadinho de chegar à minha caixa de correio. O compositor é o mesmo de OLDBOY e de SYMPATHY FOR LADY VENGEANCE, por isso já devem imaginar o calibre deste som. Quanto ao filme, estreou estes dias por Cannes e já dividiu opiniões. Uns gostaram à brava, enquanto que outros nem por isso, achando que a inclusão de cenas cómicas retirava peso ao drama principal. A ver vamos. Reservo os meus comentários para quando me sentar numa sala escurinha para o ver.
Não, não se preocupem, não vou dedicar uma entrada inteira ao novo fenómeno teen do cinema recente. Não, esta entrada não é sobre teenagers pálidos e esquálidos, com a mania que estão a atravessar a crise da adolescência. Mas é sobre a nova vaga de vampiros no cinema. Sim, mais uma. Se bem se lembram, tanto INTERVIEW WITH A VAMPIRE e BRAM STOKER'S DRACULA já têm uns anitos largos e como isto das modas é mesmo assim, lá vem a altura de levarmos com mais uma dose do mesmo. Mas será que é mesmo a mesma coisa? A ver vamos.
Se me perguntarem para que lado pende o meu coração nestas coisas de monstros do grande écrã, a resposta é muito rápida: lobisomens, vocês são os meus bichos favoritos. Don't ask, ok? Mas o que é certo é que enquanto o Benicio Del Toro não os reinventar no mui aguardado WOLF MAN a estrear este ano, os vampiros estão na berra até o pessoal se fartar. Agora, o que é de surpreender é que esta nova leva de filmes com dentes caninos aguçados à mostra até tem que se lhe diga. Chegam mesmo a fazer o quase impossível: reinventar o género, adicionando novas nuances ao folclore do vampiro. Não acreditam? Então continuem a ler.
Que o TWILIGHT seja um fenónemo, não deixa ponta de dúvida quanto à sua explicação: adaptado de um best-seller direccionado ao mercado teenager, com actores escolhidos a dedo, uma banda sonora apropriadamente medíocre/moderna e uma máquina de promoção brutal por trás de todo este projecto. O que é certo é que quando eu fui ao cinema vê-lo (sim, paguei mesmo dinheiro para vê-lo), a sensação que tive a meio dele foi de que estava a assistir ao nascimento de um fenómeno, tal estavam em sintonia tantos elementos para que tal acontecesse (ver acima as razões).
Agora que um OVNI como o da direita, LET THE RIGHT ONE IN, se torne um sucesso do público e da crítica tendo em conta o tema (vampirismo infantil na Suécia dos anos 80, contado de uma maneira muito lenta e quase desafectada), isso já se torna um objecto de discussão bem mais interessante.
Se ainda não o viram, por favor, comprem o DVD, viajem para onde estiver a ser exibido, roubem, ripem, enfim, o que estiver ao vosso alcance, mas por favor, VEJAM-NO! É de uma beleza e delicadeza estonteante e com uma das melhores bandas sonoras dos últimos anos.
E como não há duas sem três, deixo-vos com uma pérola que ainda não saiu da proverbial ostra: o novo opus de Park Chan-wook (o Sr. OLDBOY), THIRST. A premissa é suficiente para nos fazer crescer água na boca - a história de um padre coreano católico que se submete a uma série de experiências e que acabe por ficar com sede de... sangue, é claro. Como se isso não bastasse, este nosso padreco vai-se apaixonar por uma mulher... casada. Pois. Isto promete mesmo. Na Coreia do Sul ainda não estreou e já está a dar que falar: o primeiro poster foi rejeitado por razões mais ou menos obscenas (eu não vos disse que a Liga da Moral e Bons Costumes ainda andava por aí?) e logo outro foi criado em substituição. Encontram-nos aos dois aqui em baixo:
Interessante, não é? Ai, estas mente captas...
Bem, como de costume deixo-vos com um trailer como despedida e votos de até breve, desta feita do novíssimo THIRST, tá claro! Enjoy.