Falar de cinema, cinema e mais cinema. Porque nunca é demais. Somos assumidamente cinéfilos, cinéfagos e cinecratas. Por isso não se metam connosco. E sim, somos maus. Mas não fazemos fitas.
Não se assustem. Isto não vai custar nada. E é claro que não me vou aprofundar academicamente sobre um dos maiores fenómenos literário/cinematográficos de que há memória. Para isso já existem os livros, os sites de fãs, os artigos de revista e jornal, os documentários MTV e os bloopers na E! Entertainment sobre o novo penteado da menina que representa Hermione Granger (mea culpa, não me lembro dos verdadeiros nomes dos actores principais; para mim hão-de sempre ser o Harry Potter e Co.)
Não. Isto é só para tirar cá para fora alguns pensamentos depois de ter visto recentemente o primeiro tomo do capítulo final que se afigura poderosíssimo. É que eu tenho que confessar duas coisas: tenho ido ver todos os filmes ao cinema assim que saem e, para além disso, quando passam na TV eu "colo"! Não consigo mesmo evitar. E aproveito aqui para tirar ao chapéu a toda a máquina por trás deste franchising que soube mantê-lo com consistente qualidade e adaptá-lo à criançada que cresceu com estes personagens.
Há realmente um cuidado especial ao nível do tom dos filmes (cada vez mais sombrio e justificadamente, porque assim a narrativa o obriga) e à maneira cada vez mais inteligente como cada novo capítulo supera o anterior aos níveis do crescente arco dramático dos personagens e da maneira como o enredo vai encaixando feito peças de Tetris numa trama que à partida se assemelhava trapalhona e demasiado ambiciosa.
Os resultados estão aí à vista e o que é certo é que a Warner Bros. acreditava tanto no sucesso do recente filme ainda em cartaz que se recusou a lançá-lo no famigerado formato de 3D. Ainda bem, porque muito sinceramente não se justificava e acabaria por atraiçoar os que ficaram para trás.
Agora, há um coisa: este filmes já não são para criancinhas. Não senhor. Este último mete mesmo medo e tem partes verdadeiramente arrepiantes. Mas para mim a minha maior surpresa (agradável) foi ver que o tratamento que deram à história está riquíssimo de contornos Orwellianos, que não ficam descabidos de maneira nenhuma, principalmente tendo em conta que as coisas tomaram uma dimensão verdadeiramente épica e kafkaiana, se é que me faço entender. Quem o viu, é capaz de me dar razão.
O único senão é sabermos que o melhor ainda está para vir no segundo tomo, o que significa que apanhamos uma das maiores doses de engonhanço de que tenho memória. Mas ela é toda precisa para percebermos o que aí vem. E que vai ser certamente glorioso. Contem comigo lá no dia de estreia.
Este Top é especialmente dedicado a todos aqueles que quando se dizem as palavras "comics" e "filmes" só conseguem pensar em Batman ou Superman ou ainda Iron Man. Pois fiquem todos a saber que os filmes que se seguem são todos, todinhos baseados em comics e foram todos, todinhos adaptados ao Cinema, como comprovam os trailers que os acompanham. E se ainda não repararem, este Top é mais uma incursão no bizarro. Por isso, ponham lá os cintos de segurança e venham daí!
Benditos sejam os turcos, pois criam maravilhas do Kitsch como esta que aqui temos. Digam-me lá onde podem encontrar outro filme que tenham o Capitão América e o Homem-Aranha a combaterem entre si? Ah!, e o aracnídeo senhor é o mau da fita! Se eu vos disser que o El Santo também por lá entra, não vos vou estragar o filme, pois não? Bem me parece que não.
Guido Crepax é uma figura de culto dos Fumetti, os comics à italiana. E a sua Valentina, a musa de muitos geeks devoradores de páginas desenhadas à mão. Pois é mesmo de Itália que vem a sua maior homenagem - BABA YAGA - um clássico do Eurosleaze, com grandes doses de nudez, uma história de sexo sórdido (como convém, aliás) e muitas mulheres bonitas à mistura. Só mesmo nos 70's, meux amigox!
Que não restem dúvidas: eu AMO este filme! Desde a performance camp OTT da Jane Fonda [mas por que raios é que a mulher decidiu em dar em feminista (nos 70's) com a mania das aeróbicas (nos 80's)?!], aos cenários pop psicadélicos, às personagens, à magnífica banda-sonora, enfim, tudo mesmo! Jean-Claude Forest de certeza que não imaginaria que a sua navegadora intergalática se iria tornar um símbolo da cultura Pop quando a criou. Agradeçamos também a Roger Vadim (na altura namorado de Fonda) ter realizado um dos maiores guilty-pleasures cinematográficos de que há memória!
O realizador de EMMANUELLE serve-nos aqui um prato sofisticadíssimo, com requintes de sado-masoquismo que nem o seu anterior HISTOIRE D'O faria prever. O seu olhar meticuloso de ex-fotógrafo profissional está aqui mais presente que nunca e o meu piqueno coração só tem mesmo pena que já não hajam assim amantes do erotismo no Cinema como estes: desinibidos e provocadores como só algumas mentes visionárias o conseguem ser.
Ora aqui está uma espécie de raridade: uma produção dos anos 50 com músicas à mistura e tudo, como convém, baseado no comic strip de Al Capp sobre uma família de hillbillies, habitantes de uma tal Dogpatch lá para as bandas do Kentucky. Se vos parece bem, aos americanos também, visto que este Sr. Capp desenhou durante 43 anos as aventuras e desventuras dessa mesma família, sempre com um tom mais do que irónico. O filme tem a particularidade de ter actores que são a "cara" dos personagens.
Este Lupin III é de tal forma famoso na sua terra natal - o Japão - que já se fez de quase tudo para explorar essa mesma situação de privilégio na cultura popular de um país: séries de anime, uma longa-metragem de animação que tem a distinção de ser a primeira do Mestre Hayao Miyazaki e ainda um filme em imagem real, o tal que vos trago aqui hoje. Digamos que este Lupin está para os japoneses como o Astérix está para os franceses. E tem muita pinta, também!
Mais um famoso Fumetti italiano, desta feita levado ao cinema por um dos grandes: Mario Bava. Filmado como se de um comic book se tratasse, Bava consegue (com a ajuda preciosa de uma banda-sonora de um outro mestre italiano, Ennio Morricone) um filme de inegável Pop appeal, com um dos personagens mais enigmáticos e esquivos de que há memória. Ah!, e é deste filme que Mike Myers tira o famoso riso maquiavélico para o Sr. Evil, o que o classifica logo de visão obrigatório para qualquer fã deste piqueno blog.
Não há mesmo muito a dizer. Eu avisei que este Top tinha conotações assumidas de bizarro, não avisei? Pois é, por isso não se queixem. E aposto que não sabiam que era baseado num comic, pois não? Mas é. Estes alemães são levados para a brincadeira, não são? Querem saber uma trivia deliciosa? Este filme no Brasil levou o título de CAMISINHA ASSASSINA. Lindo!
A meu ver, uma das mais fiéis e mais bem conseguidas adaptações de um comic ao Cinema e só tenho mesmo pena que não seja mais conhecido no Ocidente, porque realmente merece toda a atenção que lhe possamos dedicar. Efeitos especiais muito acima da média dos que eram feitos na altura, uma narrativa cheia de acção que nunca pára para respirar, um actor principal que, não obstante a sua tenra idade, consegue perfeitamente dar conta do trabalho, enfim, o que mais dizer. Vejam-no a todo o custo. Prometo que não vão se arrepender.
E terminamos em grande com aquela que é para mim uma das melhores adaptações de sempre de um comic ao grande ecrã. Estes nossos vizinhos sabem mesmo fazer coisas muito boas quando querem e a prova está toda aqui. Hilariante, daqueles de fazer doer a barriga de tanto rir, Javier Fesser está aqui mais do que parabéns por ter criado um comic book em movimento. Porque é isso mesmo que isto é - pura animação, no pleno sentido da palavra.
Interessa que te dei os meus olhos, meu amor, tragicómica, eu, de ser para ti para sempre Se viver, vivo
deixei de ver
E que me lembre do poder do verbo, da súmula das palavras, da imensidade dos sentidos, da licenciosidade dos significados Se tremelicar, tremelico
e não segura
Que te tenha dito tantas vezes que, além dos meus olhos, te dei o vidrino fio da minha conivência perpetrada até à linfa das coisas invisíveis Se definhar, definho
e desvario
Mãe, que a ti te tenha feito sentir o apreço ao aleatório vagaroso e narcótico Se tombar, tombo
e me estendo, enfim
Que as alas se abram para o meu cancro de alma se purgar e se livrar de mim, no finalmente Se vagarar, vagaro,
ela toma-me a expressão, rouba-me da língua a palavra
Que apareçam os gatos perdidos e se soltem os enclausurados, para que me despeça Se vaguear, vagueio
naquele sítio entre o céu e a terra e sonho
Que os doidos saiam à rua de chapéu para cantar e dançar, que eu sou uma deles Se ceder, cedo
e cedo cedo
Que a perfídia se assuma vestida de Fátima e Maria.
Que a loucura seja ensinada nas escolas, como uma extravagante ciência humana, no mesmo módulo da poética.
Meus filhos, que vos possa ter feito entender a mensagem excelsa da liberdade.
Porque hoje morro.
Hoje morro de desesperança e fracasso, de incapacidade.
Morro, porque não fiz por vós o suficiente, nem por mim, nem por homem algum, morro de uma doença que não se alivia, que não melhora, de uma contusão de corpo inteiro, morro de crescimento e madureza, porque sou tão nova para ser imputada, tão nova para ver gastas as minhas ficções de Paris e de amor romântico.
Só para terminarmos o mês em grande, fiquem com o novíssimo trailer para um dos grandes blockbusters da próxima rentrée que irá ser dividido em 2 partes, a primeira a estrear em Novembro deste ano e a segunda, em Julho de 2011.
Obrigado Antoine por nos fazeres sonhar e obrigado Principezinho por nos fazeres recordar o que é ser criança. Abraços daqui do planeta Terra para o asteróide B612.
Este livro da Taschen custava 1.000 Euros. Mil. Um e três zeros. E digo custava porque já esgotou. Claro. Compila em forma de 10 livros individuais que encaixam num outro maior, como se de um segredo se tratasse, a saga que Kubrick não conseguiu levar até ao fim - a de filmar a história de Napoleão. O lendário realizador juntou ao longo da sua vida milhares de fotos, imagens, ilustrações, documentos, enfim, qualquer coisa que estivesse relacionada com essa famosíssima figura histórica.
O trabalho hercúleo de organizar toda essa informação e de apresentá-la de maneira original (como é tradição na editora alemã), foi levado a cabo de maneira igualmente majestosa como poderão ver neste video. Se justifica ou não os mil euros, isso já é outra história.
Os filmes que ficam na gaveta sempre me fascinaram, principalmente os dos grandes realizadores. Fellini tinha o seu IL VIAGGIO DE GUIDO MASTORNA, que também ficou pelo caminho, Hitchcock ficou a meio do seu KALEIDOSCOPE, Orson Welles de THE OTHER SIDE OF THE WIND e Henri-Georges Clouzot do seu L' ENFER (já aqui referido anteriormente). Às vezes dá-me vontade de viver num universo alternativo onde estes filmes não só são reais como também os seus magnum-opus. Só para ter mesmo oportunidade de vê-los.
Este post não vai envelhecer bem, dentro de um mês já vai estar completamente ultrapassado. Por isso, enquanto o link existe é para aproveitar. Aproveitar mesmo, digo eu. A minha revista de cinema favorita, a Empire, tem este ano uma competição deliciosa: transformar uma longa-metragem numa micro, de 60 segundos. Embora o período para envio dos vídeos e a votação para o melhor já tenham terminado, o resultado desta votação ainda não foi revelado. Aqui estão os 20 melhores. Recomendo vistoria, especialmente a Avatar e There Will Be Blood.
Foi uma delícia ler este livro da Sra. Renay, musa de muito e boa gente, incluindo o realizador John Waters que lhe escreveu um prefácio à sua maneira muito própria para esta reedição do seu clássico best-seller: My Face For The World To See.
E a associação com Waters justifica-se: Renay teve uma vida com detalhes q. b. de escabrosos e escatológicos que justificam perfeitamente a sua participação num dos épicos low budget do Papa do Trash: DESPERATE LIVING. Desde associações extra e conjugais a membros da Máfia americana, a participar em espectáculos de burlesco, a ganhar um prémio da pessoa mais parecida com a Marilyn Monroe, a fugir de casa à pressa com os filhos com medo de represálias relacionadas com os tais envolvimentos com membros da Cosa Nostra, a viver à grande e à francesa, a ser presa por vários anos, como vêem, há de tudo na vida desta senhora. Mas há sobretudo (e isto é a minha razão principal de recomendação), uma grande alegria de viver e de nunca baixar os braços perante qualquer situação menos boa que a vida nos possa oferecer. Porque os livros também podem ser lições de vida.
Ora, então é assim: eu já gostava das covinhas da cara laroca da Drew e do seu estilo javardo e laid-back; quanto à Ellen Page, foi amor de caixão à cova depois de a ter visto em HARD CANDY e, logo a seguir, em JUNO. Escusado será dizer que estou mais do que em pulgas para ver WHIP IT!, o primeiro filme de Drew Barrymore por trás das câmaras (e à frente também), com Page no papel principal de uma roller derby! Esta sessão fotográfica para a Marie Claire americana foi a gota final: venha daí o filme! JÁ!
Ok, não me perguntem quem faz este tipo de (ineptas) decisões, mas o que é certo é que já não iremos ver JENNIFER'S BODY nos grandes ecrãs. Sim, leram bem. O filme sensação da temporada (isto é, se pusermos NEW MOON fora da equação), protagonizado pela rapariga sensação do momento, Megan Fox, e escrito pela argumentista sensação (e oscarizada; e muito sexy, também) Diablo Cody, pelos vistos não foi considerado um suficientemente bom filme para estrear nas nossas salas... Isto depois de ter feito capa de tudo que é revistas de cinema por todo o mundo, incluindo a "nossa" Premiere...
Isto cheira-me a esturro. E cheira-me também que alguém deve estar a sofrer e muito as consequências desta decisão. Se não está, devia!