Sal

quarta-feira, 1 de junho de 2011



    Foi há 30 anos, no Rio de Janeiro, que Glauber aparou a barba, arranjou o cabelo e deixou crescer as asas e, depois de um episódio de breve, mas definitivo fenecimento corpóreo, decidiu sobrevoar as grandes e as pequenas cidades, burgos, aldeias e lugares. Tocar pessoas, acompanhar cães nos passeios, histéricos atrás das moscas, observou gatos e foi gatos. Troçou das efémeras porque se garantiu eterno.

                Rompeu com aprumados, bem-vestidos, bem-falantes, bem-falados, agarrou indigentes, embalou mulheres grávidas solitárias e cuspiu no FMI. Viu Cristo e deu-lhe um par de tapas, por ele mesmo ter comido toda a areia que lhe cabia no estômago a fingir, para aliviar os sertanejos das vidas secas que levam. Encontrou Deus e fez-lhe uma rasteira rasteira pela distracção quanto aos Sem-Terra. Amparou Tom Zé da queda que iria dar na banheira e afinou o ré do violão de Toquinho. Sentou-se nos ombros do Corcovado, a jogar canasta com Guimarães Rosa. 

                Pediu satisfação a Cristo por Pixote e cada pivete mal-amado, desperdiçado, e recebeu uns quantos vindos direitinhos da Candelária. Tornou-os estros de Caetano e de Gil. Também o foram outrora de Cartola e Noel. Pelos favelados arriou, sussurrando, ciciando, murmurando, segredando, rumorejando que o “morro não tem vez”. Reviveu o tráfico negreiro e a lei Áurea, não pode deixar de achegar os trabalhadores dos grandes latifúndios aos negros da senzala e então bradou-se em lamúria, sangrou e sangrou, deliberou que toda a gente havia de ser livre, porque quem trabalha porque tem fome, tem fome de liberdade e de asas e de ar fresco.

    Infiltrou-se sublimado num edifício gigante. Outrora fora uma construção de uns tantos blocos de betão armado, gradeado num padrão ora grade, ora cimento, ora grade, ora cimento. Agora, eram umas quantas caixas de cartão gigantes, para onde se jogavam homens criminais culpados dos males inteiros do Brasil. Empurrava-se aqui e lá cabia mais um, calcava-se ali e cabia outro pequenito, matavam-se dois para plantar uns cinco. Um dia, as caixas tiveram paredes côncavas e saíam coisas pelas grades e pelas juntas, pertences escassos dos homens ruins do Brasil. Felizmente, as forças policiais das caixas, com nome tupi-guarani, Carandiru, mataram uns quantos. As espumas dos sangues adidos ao éter de Glauber, agravaram o seu pêsame de eternidade em 250 homens.  
   
    Deu palmadinhas de alento e estímulo nas costas de Teotônio Vilela e nas de Tancredo Neves, abriu os braços pela emancipação do povo – Diretas Já! – exigia o PMBD. –Directas Já! Ajoelhou à tornada ao poder civil de ‘85, regozijou-se com a nova constituição federal de ‘88 e pelas directas para a presidência da república de ‘89, cantou hinos celestes saídos directamente do seu coração deveras revolucionário e lastimou fazer tão cedo a grande viagem e a sina de somente assistir a este prenúncio de dignidade dado ao seu povo assalariado, caipira, pescador, gaúcho, cantoneiro, flanelinha, favelado, mal-amado, que diria Jorge?
  
    Desde há 30 anos, que beija todas as faces dos filhos todas as noites e as bocas de todas as mulheres, no beijo impassível de anjo que pode; continua a achar Chico burguês, mas, este, por sorte, continua esquerdista. Empurrou Dilma para o lugar onde ela está e ameaçou, cara-a-cara Médici de ajuste de contas. Amou com violência Tião por o macaco representar a estética da fome e a estética da violência.

     Envergonhou-se de Collor de Mello, Ai Iemanjá! …e o que fez ele ao seu Brasil brasileiro, negro, mestiço, indígena, azul, verde, branco e amarelo, sincrético e depois patético e deflacionado!? Indignou-se com Sarkozy, com Obama, com a NATO, com o petróleo, com o gás natural, com a dívida ao Banco Mundial, rasgou as faces com mágoas de revolta, zanga e ácido porque para haver os que comem, sobra tanta mas tanta gente com fome e para haver quem se calce, existe tanta garotada descalça.
              

 FILHOS DA PUTA – não sobra nada!

 FILHOS DA FRUTA – não lutam por nada!

 FILHOS DA GRUTA – não lhes cabe nada!

Cabe-nos a nós, sobra-nos a nós, temo-lo para nós: O SAL DE GLAUBER.
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Os filmes que eu quero (mesmo!) ver: The Immortals de Tarsem

quarta-feira, 27 de abril de 2011



Ok, eu tenho que confessar que o meu queixo caiu varias vezes a meio deste trailer. Esta na hora de fazer um altar a Tarsem.

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Os Filmes que eu quero ver: The Tree of Life

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010



Ver este trailer encheu-me de esperança. Malick é um génio e uma lenda do cinema com apenas meia-dúzia de filmes no currículo. 2011 já não me parece tão negro agora. Obrigado, Malick.

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Créditos: Panic Room

sábado, 11 de dezembro de 2010



Continuando com a recente rubrica dedicada a créditos iniciais que merecem todo o destaque que os possamos dar, fiquem com esta pequena maravilha dos efeitos especiais, com um piscar de olhos a um certo filme de Hitchcock (prémio para quem adivinhar!). O filme, como já devem se ter apercebido chama-se PANIC ROOM e foi realizado por David Fincher, o tal senhor que tem em cartaz um filme sobre o Facebook, THE SOCIAL NETWORK.

Espero que gostem da escolha de hoje e, já agora, um bom Sábado para todos!

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Mike Mignola & Guillermo Del Toro

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


A parceria entre o artista de design Mike Mignola e o realizador Guillermo del Toro é uma das minhas favoritas. As suas sensibilidades artísticas parecem confluir na perfeição, quase como se tivessem nascido para tal. A mais recente colaboração foi para a capa da edição em DVD e Blu-Ray de CRONOS para a Criterion Collection, mas fiquem também com outras igualmente icónicas. Já imaginaram bem um posterzinho destes numa parede de vossa casa?

 

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Top 10 Comic Movies: the Bizarro Edition

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


Este Top é especialmente dedicado a todos aqueles que quando se dizem as palavras "comics" e "filmes" só conseguem pensar em Batman ou Superman ou ainda Iron Man. Pois fiquem todos a saber que os filmes que se seguem são todos, todinhos baseados em comics e foram todos, todinhos adaptados ao Cinema, como comprovam os trailers que os acompanham. E se ainda não repararem, este Top é mais uma incursão no bizarro. Por isso, ponham lá os cintos de segurança e venham daí!

10º: 3 Dev Adam de T. Fikret Uçak


Benditos sejam os turcos, pois criam maravilhas do Kitsch como esta que aqui temos. Digam-me lá onde podem encontrar outro filme que tenham o Capitão América e o Homem-Aranha a combaterem entre si? Ah!, e o aracnídeo senhor é o mau da fita! Se eu vos disser que o El Santo também por lá entra, não vos vou estragar o filme, pois não? Bem me parece que não.




9º: Baba Yaga de Corrado Farina

 

Guido Crepax é uma figura de culto dos Fumetti, os comics à italiana. E a sua Valentina, a musa de muitos geeks devoradores de páginas desenhadas à mão. Pois é mesmo de Itália que vem a sua maior homenagem - BABA YAGA - um clássico do Eurosleaze, com grandes doses de nudez, uma história de sexo sórdido (como convém, aliás) e muitas mulheres bonitas à mistura. Só mesmo nos 70's, meux amigox!




8º: Barbarella de Roger Vadim


Que não restem dúvidas: eu AMO este filme! Desde a performance camp OTT da Jane Fonda [mas por que raios é que a mulher decidiu em dar em feminista (nos 70's) com a mania das aeróbicas (nos 80's)?!], aos cenários pop psicadélicos, às personagens, à magnífica banda-sonora, enfim, tudo mesmo! Jean-Claude Forest de certeza que não imaginaria que a sua navegadora intergalática se iria tornar um símbolo da cultura Pop quando a criou. Agradeçamos também a Roger Vadim (na altura namorado de Fonda) ter realizado um dos maiores guilty-pleasures cinematográficos de que há memória!




Gwendoline de Just Jaeckin


O realizador de EMMANUELLE serve-nos aqui um prato sofisticadíssimo, com requintes de sado-masoquismo que nem o seu anterior HISTOIRE D'O faria prever. O seu olhar meticuloso de ex-fotógrafo profissional está aqui mais presente que nunca e o meu piqueno coração só tem mesmo pena que já não hajam assim amantes do erotismo no Cinema como estes: desinibidos e provocadores como só algumas mentes visionárias o conseguem ser.




6º: Li'l Abner de Melvin Frank


Ora aqui está uma espécie de raridade: uma produção dos anos 50 com músicas à mistura e tudo, como convém, baseado no comic strip de Al Capp sobre uma família de hillbillies, habitantes de uma tal Dogpatch lá para as bandas do Kentucky. Se vos parece bem, aos americanos também, visto que este Sr. Capp desenhou durante 43 anos as aventuras e desventuras dessa mesma família, sempre com um tom mais do que irónico. O filme tem a particularidade de ter actores que são a "cara" dos personagens.




5º: Lupin the Third: Strange Psychokinetic Strategy de Takashi Tsuboshima


Este Lupin III é de tal forma famoso na sua terra natal - o Japão - que já se fez de quase tudo para explorar essa mesma situação de privilégio na cultura popular de um país: séries de anime, uma longa-metragem de animação que tem a distinção de ser a primeira do Mestre Hayao Miyazaki e ainda um filme em imagem real, o tal que vos trago aqui hoje. Digamos que este Lupin está para os japoneses como o Astérix está para os franceses. E tem muita pinta, também!




4º: Danger: Diabolik de Mario Bava


Mais um famoso Fumetti italiano, desta feita levado ao cinema por um dos grandes: Mario Bava. Filmado como se de um comic book se tratasse, Bava consegue (com a ajuda preciosa de uma banda-sonora de um outro mestre italiano, Ennio Morricone) um filme de inegável Pop appeal, com um dos personagens mais enigmáticos e esquivos de que há memória. Ah!, e é deste filme que Mike Myers tira o famoso riso maquiavélico para o Sr. Evil, o que o classifica logo de visão obrigatório para qualquer fã deste piqueno blog.





3º: Killer Condom de Martin Walz


Não há mesmo muito a dizer. Eu avisei que este Top tinha conotações assumidas de bizarro, não avisei? Pois é, por isso não se queixem. E aposto que não sabiam que era baseado num comic, pois não? Mas é. Estes alemães são levados para a brincadeira, não são? Querem saber uma trivia deliciosa? Este filme no Brasil levou o título de CAMISINHA ASSASSINA. Lindo!





2º: Watari Ninja Boy de Sadao Nakajima


A meu ver, uma das mais fiéis e mais bem conseguidas adaptações de um comic ao Cinema e só tenho mesmo pena que não seja mais conhecido no Ocidente, porque realmente merece toda a atenção que lhe possamos dedicar. Efeitos especiais muito acima da média dos que eram feitos na altura, uma narrativa cheia de acção que nunca pára para respirar, um actor principal que, não obstante a sua tenra idade, consegue perfeitamente dar conta do trabalho, enfim, o que mais dizer. Vejam-no a todo o custo. Prometo que não vão se arrepender.
 



1º: La gran aventura de Mortadelo y Filemón de Javier Fesser


E terminamos em grande com aquela que é para mim uma das melhores adaptações de sempre de um comic ao grande ecrã. Estes nossos vizinhos sabem mesmo fazer coisas muito boas quando querem e a prova está toda aqui. Hilariante, daqueles de fazer doer a barriga de tanto rir, Javier Fesser está aqui mais do que parabéns por ter criado um comic book em movimento. Porque é isso mesmo que isto é - pura animação, no pleno sentido da palavra.

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Filme do Dia: Wizard of Gore

sexta-feira, 26 de novembro de 2010



Herschell Gordon Lewis é um dos realizadores de referência aqui no Maus. Por isso, estava mais que na hora de programarmos uma sessãozinha com um dos seus (muitos) clássicos. Fiquem então com WIZARD OF GORE, daquele que é justamente considerado o Padrinho do Gore no Cinema.

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Flamenco, Flamenco de Carlos Saura

quarta-feira, 24 de novembro de 2010



15 anos depois de FLAMENCO (1995), Carlos Saura volta a abordar o mesmo tema com FLAMENCO, FLAMENCO porque, segundo ele, essa forma musical muito particular da cultura espanhola sofreu marcadas evoluções que exigiam um novo olhar.

Munido do colaborador habitual por trás das câmaras - o mestre italiano da fotografia Vittorio Storaro - FLAMENCO, FLAMENCO assume-se como algo de visão obrigatória para quem tem vindo a acompanhar o trabalho destes dois senhores. Fica o trailer do filme acabadinho de estrear em terras espanholas.

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Alerta Trailer: Source Code

sábado, 20 de novembro de 2010



Depois do fabuloso MOON, Duncan Jones, o filho de David Jones, mais conhecido por David Bowie, prepara-se para lançar em Março de 2011 mais um filme com contornos sci-fi. SOURCE CODE é o nome e pelo trailer poder-se-á dizer que é uma espécie de GROUNDHOG DAY em formato thriller de acção. Pelo menos é o que parece. O que é o suficiente para eu e concerteza muito boa gente ficarmos intrigados. Venha ele.



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Il Casanova di Fellini

domingo, 14 de novembro de 2010



Devo admitir que quando este filme foi anunciado para lançamento em formato Blu-Ray em terras francesas já lá vai para dois anos, fiquei roidinho de inveja. Primeiro: ainda não tinha feito o upgrade para o HD (nem TV tinha, quanto mais leitor...); segundo: é o meu filme de Fellini favorito e angustiava-me saber que aquelas imagens gloriosas que o Mestre criou a partir das lendárias Memórias de Casanova estavam agora melhor do que nunca, com as suas cores garridas e cenários barrocos bem ao estilo italiano.

Hoje, posso dizer que este foi um dos filmes que me fez alargar os cordões à bolsa (por outras palavras, comprei uma TV HD e respectivo leitor Blu-Ray) para assim o poder ver na melhor qualidade possível, fazendo assim jús a todo o talento envolvido na produção desta obra-prima.

Embora este filme seja mal-amado, até pelos fãs mais acérrimos de Fellini, é para mim um pecado que não seja mais e melhor conhecido por todos os cinéfilos por esse mundo fora. Senão vejamos: fotografia a cargo do grande Giuseppe Rottuno, cenários do mítico Dante Ferretti, uma banda-sonora que tem tanto de bela como de mágica do lendário Nino Rota e Donald Sutherland no papel de Giacomo Casanova, o veneziano que fascinou e continua a fascinar toda uma geração de historiadores e sexólogos. As cartas estão na mesa e o jogo, como se pode prever, é infalível.

Em sua defesa, tenho a dizer que se não encararmos o cinema narrativo como o alfa e o omega da 7ª Arte a nível da construção de um argumento, então estamos no bom caminho para melhor compreendermos o fascínio deste filme. Fellini já em SATYRICON estava a caminhar para uma espécie de cinema episódico (algo que ainda hoje é visto de maneira negativa e não como algo profundamente criativo e fora da norma, sempre a marca de qualquer grande autor/criador) e ele leva essa mesma matriz para o seu CASANOVA, que mais não são do que retalhos da sua vida cosidos com a mais invisível das linhas. As elipses são constantes e sem sobre-aviso, o que só ajuda ao onirismo da obra. Porque é exactamente isso que este filme é (pelo menos, a meu ver): as recordações de um velho mulherengo a quem a vida até lhe correu bem e de quem a sua fama sempre lhe precedeu e o fez viajar por meio mundo e conhecer outro tanto.

Resultado: por vezes, parece que estamos a visitar um museu de figuras de cera dedicado à sua vida, onde tudo é artificial e propositadamente assim. Fellini não esconde que tudo isto poderão ser os devaneios de um velho louco, que não sabe no ridículo que caiu. Durante estas festividades, somos regalados com imagens extraordinárias em catadupa, num acumular de sensações visuais que roçam o barroco, visto que a sua única função é a própria acumulação em si.

Eu cá não me canso destas coisas, por isso aqui fica a minha mais alta recomendação para (re)descobrirem este filme.

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Spots TV de Realizadores famosos: Wes Anderson & Roman Coppola para Stella Artois

quinta-feira, 11 de novembro de 2010



Deliciem-se com este pequeno anúncio retro-pop criado para a famosa marca de cervejas por dois dos meus realizadores favoritos: Wes Anderson e Roman Coppola. Não há muito mais nada a dizer, a não ser: "Yeah, baby, YEAH!"

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Créditos: Sympathy for Lady Vengeance

quarta-feira, 3 de novembro de 2010



Inspirado por este fabuloso site, decidi inaugurar uma nova rubrica aqui no Maus dedicada às sequências iniciais e/ou finais de créditos dos filmes. Devo confessar que por vezes dou por mim a pôr DVDs no leitor só para ver alguns dos meus créditos favoritos tal é a minha paixão por estas coisas.

Hoje, e para começarmos em grande, deixo-vos com a magnífica sequência inicial do igualmente magnífico SYMPATHY FOR LADY VENGEANCE do sul-coreano Park Chan-wook. De uma plasticidade e elegância singulares, consegue dar o tom às macabras festividades que se seguem como poucos. E aquela fabulosa música também ajuda. Fiquem bem.

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Video Clips de Realizadores famosos: Heathen Child de John Hillcoat para Grinderman

terça-feira, 2 de novembro de 2010



Este aqui só mesmo visto, porque mesmo que eu diga que contém demónios destruidores, uma rapariga a tomar banho de imersão, romanos de cú à mostra e que deitam raios de laser pelos olhos, criancinhas assustadas em salas de cinema, uma cheerleader dos infernos,  asteróides em colisão com a Terra, dilúvios de proporções bíblicas e flatulências capazes de provocarem explosões atómicas, não chega para descrever a insanidade que este video realizado pelo senhor que recentemente assinou o excelente THE ROAD - John Hillcoat - contém. Ah!, e o Nick Cave também por lá anda. De visão obrigatória. Algo entre uma trip visual de Jodorowsky e o Astérix. Oh, yeah.

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Alerta Trailer: Rabbit Hole

segunda-feira, 1 de novembro de 2010



Um dos mais fortes filmes desta temporada, RABBIT HOLE, o mais recente do wünderkind John Cameron Mitchell que assina um dramalhão à antiga com uma actriz de topo - Nicole Kidman. Depois do provocante HEDWIG AND THE ANGRY INCH e do fabuloso SHORTBUS, Mitchell parece ter encontrado um veículo para mostrar às grandes massas que é perfeitamente capaz de realizar um filme sobre o seu tema favorito (as relações humanas em situações limite) sem recorrer a cenas ou situações marginais/marginalizadas. Kidman parece em plena forma também, o que se agradece depois de recentes deslizes. Resumindo, quero ver, claro! Urgentemente!




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Alerta Trailer: Balada Triste de Trompeta

quinta-feira, 28 de outubro de 2010




Ai glorioso dia, que te avizinhaste tão precoce na tua graça! Bem hajas, tu que nos trazes estas benesses como quem sabe saciar a nossa sede! Não há data mais ditosa que esta, a que nos trouxe as primeiras imagens do tua nova face! BALADA TRISTE DE TROMPETA te apelidas e nós, genuflexados, agradecemos-te. Salvé!



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Mau da Fita: Paul Verhoeven

quinta-feira, 21 de outubro de 2010


Escandalizados? Não há razão para tal. Se pensarem bem, este senhor é mais do que digno de pertencer à nossa galeria de Maus da Fita. Vocês já viram bem os filmes que ele realizou em Hollywood depois de abandonar a sua terra natal, a Holanda? Eu não sei o que é que ele andou a ver ou a tomar depois que entrou em terras do Tio Sam, mas o que é certo é que ainda bem que o fez porque ficamos todos a lucrar com isso! Os seus filmes tornaram-se sinónimos de blockbusters e a sua reputação de enfant terrible não mais parou de aumentar. Sharon Stone deve-lhe a ele a revitalização da sua carreira (o que já não se pode dizer o mesmo da mocita do SHOWGIRLS...), enquanto que o cinema de ficção-científica passou a ter uma nova face graças também à sua... visão... muito particular. Enfim, é tudo bom, meus amigos! E venham daí mais que a gente gosta!





















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Morgiana

sexta-feira, 15 de outubro de 2010



Assim como quem não quer a coisa, Juraj Herz passou de um realizador checo completamente desconhecido para mim até há uns meses atrás, para alguém de quem fiquei fã após ter visto recentemente três filmes dele. Fã mesmo. Assim como quem não quer a coisa.

Já por aqui tinha escrito sobre a sua adaptação do clássico A Bela e o Monstro - Panna a Netvor - e como esse filme me tinha fascinado com a sua riqueza de imagens e de simbolismos. Daí a ver um outro filme seu (THE CREMATOR, sobre um cremador, nem mais e filmado de uma maneira tão gótica quanto febril) foi um passinho. Mas havia um outro seu que me escapava e que eu queria ver mais que nenhum e é esse mesmo que eu aqui trago hoje: MORGIANA.


Baseado num conto de Aleksandr Grin, Jessie and Morgiana, conta-nos a história de duas irmãs que após perderem o seu pai, herdam cada uma uma parte do seu grande espólio. E à boa maneira literária, uma tem tanto de maquiavélica e invejosa como a outra tem de boazinha e angelical. E vai ser a partir desta balança altamente desequilibrada de personalidades antagónicas que as linhas desta trama se irão tecer. Se vos disser que ambas as irmãs são interpretadas pela mesma actriz com grande savoir-faire e óbvio prazer e que todas estas andanças foram filmadas por Jaroslav Kucera, o mesmo senhor responsável pelas imagens de outro filme-chave da Nova Vaga Checa dos anos 60 - DAISIES de Vera Chytilová - têm aqui indícios suficientes para o quererem ver com toda a urgência.


O curioso da coisa é que este filme não é tido lá muito em conta pelo próprio realizador. Ele considera-o mais como um exercício de estilo na área do gótico e do fantástico a que ele se propôs a fazer para não perder o "jeito", vá lá. Por mim, ainda bem que o fez, porque o resultado final é magnífico. Mas se pensarmos bem, e se tivermos em conta o ambiente politico-cultural que se viveria na Checoslováquia dos anos 70, então não o podemos mesmo julgar muito arduamente. É que ele devia estar numa situação em que ou fazia filmes, sejam eles quais fossem os temas ou estilos, ou então não os fazia mesmo se a sua intenção fosse realizar algo que fosse contra as ideologias de então. Uma coisa é evidente: o seu talento em captar imagens de um enquadramento exímio e de um pormenor extremo, já não falando, está claro, na sua capacidade de nos hipnotizar com a maneira como a história nos é contada. E é aqui que se vê a marca de um grande realizador.

Ah!, só mais uma coisa: a Morgiana da história é esta gata siamesa que estão a ver aqui em baixo e uma coisa vos digo, o desfecho deste filme vai depender e muito desta gatinha. E mais não digo, a não ser que quase de certeza o vou ver outra vez esta noite!


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Requiem pour un Vampire

sábado, 9 de outubro de 2010


E já que o realizador deste filme - Jean Rollin - pertence à nossa mui estimada galeria de Maus da Fita, porque não falar sobre um dos seus filmes mais conhecidos visto que este mês no Maus estamos centrados no Cinema de Terror e/ou Fantástico? Pois falemos então de REQUIEM POUR UN VAMPIRE.


E começamos a todo o gás, com um perseguição a alta velocidade com as nossas duas heroínas mascaradas de palhaços, não se sabe muito bem porquê. E continuamos sem saber durante muito tempo, isto porque este filme é para o cinema de terror o que os filmes de Kim Ki-duk são para o cinema de autor. Confusos? Ok, a comparação é foleira, mas o que é certo é que os diálogos escasseiam neste filme como a água no deserto. O que resulta e muito bem, por sinal, ajudando à carga de mistério que neste filme se exige. Os diálogos nos filmes de Rollin nunca foram o seu forte (nem os enredos, já agora...), o que faz com que a sua força seja sobretudo visual. Não há como escaparmos que estamos a ver um filme de Rollin, porque a sua estética é facilmente identificável.


Temos então as duas heroínas principais da praxe (Rollin é um gajo fixe porque as suas gajas andam sempre aos pares) que inevitavelmente se vão ver metidas em encrenca da grossa, neste caso quase enterradas vivas e seguidamente perseguidas por sugadores de sangue num castelo abandonado. E sugadores de sangue e não vampiros, porquê? Porque vampiro "vampiro" só temos um neste filme e é nada mais, nada menos do que o último da sua estirpe. E até não é mau diabo, o que não se pode dizer o mesmo dos seus seguidores, sempre sedentos do líquido cardinal. E de sexo. Muito sexo.

Como estão a ver, e se conhecem um pouquinho da obra deste senhor, temos o protótipo do filme que Rollin iria fazer ad nauseum durante o resto da sua carreira, para gáudio dos seus fãs, está claro. Porque quem gosta a sério disto, quer sempre mais, não é?

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Alerta Trailer: Helldriver

sexta-feira, 8 de outubro de 2010



Thank God for the Japanese! Yoshihiro Nishimura, o mesmo de VAMPIRE GIRL VS. FRANKENSTEIN GIRL, prepara-se para lançar mais uma demência visual: HELLDRIVER. Não há mesmo muito mais a dizer a não ser para verem o trailer abaixo incorporado com a maior urgência possível! E viva a Sushi Typhoon!

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Double-Feature: Shutter Island + Inception

quinta-feira, 7 de outubro de 2010



Ocorreu-me hoje ao revisitar SHUTTER ISLAND em DVD que faria uma excelente Double-Feature com outro filme de Leonardo DiCaprio que também estreou este ano: INCEPTION. Dois filmes que questionam a realidade em que vivemos; dois filmes que estão constantemente a fazer jogos mentais com os espectadores; dois filmes que incluem elementos de terror e/ou fantástico na sua trama; e no seu centro, dois filmes que lidam com a perda de entes queridos por parte dos personagens principais. E dois magníficos filmes em todos os seus aspectos, porque não também!


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