Falar de cinema, cinema e mais cinema. Porque nunca é demais. Somos assumidamente cinéfilos, cinéfagos e cinecratas. Por isso não se metam connosco. E sim, somos maus. Mas não fazemos fitas.
Ora aqui está um filme que preenche todos os requisitos que eu preciso ter para querer ver um filme a todo o custo: estética pop em clara evidência; grau de kitsch elevado; uma personagem principal feminina icónica e iconoclasta q.b.; sentido de nonsense prevalente; ser japonês. E pronto, estou no Nirvana. Venha daí o filme!
Eu não avisei que 2009 iria ser o ano dos vampiros? 2008 já previa isso... É da maneira que dão um bocadinho de descanso aos zombies. Também, é suposto eles estarem mortos, correcto? Por isso, paz às suas almas.
Bem, por onde começar? Ok, sem contarmos com o LESBIAN VAMPIRE KILLERS (já aqui tratado), podem esperar ser atacados por estas criaturas sanguinárias literalmente por todas as frentes. Senão vejamos: Alan Ball, o criador da clássica série televisiva SIX FEET UNDER, volta à carga com a segunda temporada de TRUE BLOOD, uma crónica com algo de "pulp" que conta as aventuras e desventuras de uma comunidade de vampiros no sul da América. O enredo até é bem interessante: os vampiros deixaram de beber sangue humano, tendo sido encontrado um substituto que é comercializado em latas de refrigerante com o nome de... TRU BLOOD, assim mesmo, sem o E. Que ghetto que nós estamos... O que é certo é que os vampiros são agora aceites na sociedade como pessoas mais ou menos comuns. Pois. Os humanos é que ainda não os aceitam lá muito bem, o que provoca nos vampiros um certo receio de "sair do caixão"... Realmente, deve ser um bocadinho como "sair do armário": nunca se sabe qual vai ser a reacção das pessoas. Há quem não se importe, digo eu. E diz também a Anna Paquin, a menina aqui do poster e a personagem principal da série que se vai envolver (obviamente, senão não havia série!) com a vampiragem local.
Saindo do pequeno écrã e saltando para o grande, temos duas igualmente grandes estreias no horizonte. Começando pela mais aguardada por tudo que é teenager por esse mundo fora, o segundo filme da Saga Twilight - NEW MOON - já tem poster e podem dar uma vistaça de olhos à coisa aqui à vossa esquerda. Pelos vistos, vamos ter direito a triângulos amorosos e tudo. Não me perguntem é mais pormenores que eu não os sei. Não estavam à espera que eu tivesse lido os livros, pois não?!
O filme só estreia lá para Novembro mas o grau de antecipação já é tão grande que nos próximos prémios MTV irá passar um clip do filmezito para gáudio de milhões de teenagers inconscientes. E inconsequentes, digo eu. Mas se querem que eu vos diga a verdade, verdadinha, também estou assaz curioso para ver como a história se desenrola. Que querem, o bichinho dos vampiros mordeu-me o pescoço.
Mas o que eu quero mesmo ver é este, aqui em cima: BLOOD THE LAST VAMPIRE. Se bem se lembram, este título pertence a todo um franchise multimédia acerca da história da menina do poster, um halfling com mais de 400 anos e a quem querem dar cabo da sua raça.
Tanto o anime, como o manga, como o jogo de PC, como, penso eu, o filme a estrear, contam uma parte da sua história, convidando assim o espectador, leitor, ou jogador a uma maior interacção com todo o enredo. A ideia é realmente muito boa e é pena que não tenha sido mais aproveitada no Ocidente. Normalmente, o que acontece é de maneira inversa: se um filme tiver muito sucesso, dá origem ao jogo de PC, ao comic, ao desenho animado e por aí adiante. Confirmem no trailer em baixo se vale a pena ou não.
Enquanto isso, vou-me deleitando com o CD da Banda Sonora de THIRST acabadinho de chegar à minha caixa de correio. O compositor é o mesmo de OLDBOY e de SYMPATHY FOR LADY VENGEANCE, por isso já devem imaginar o calibre deste som. Quanto ao filme, estreou estes dias por Cannes e já dividiu opiniões. Uns gostaram à brava, enquanto que outros nem por isso, achando que a inclusão de cenas cómicas retirava peso ao drama principal. A ver vamos. Reservo os meus comentários para quando me sentar numa sala escurinha para o ver.
Aqui no Maus da Fita vale mesmo tudo, desde que tenha minimamente a ver com cinema. E não me venham com coisas a dizer que animação não é cinema. Claro que é. Continuam a ser 24 frames por segundo. Às vezes até mais.
O que nos leva a este clássico obscuro de 1973, realizado por Eiichi Yamamoto - BELLADONNA OF SADNESS. Terceira parte de uma trilogia de filmes de animação para adultos a que chamaram de Animerama (anime+drama), foi produzido pela Mushi Pro da lenda do manga que foi Osamu Tezuka. Narra a história de Jeanne d'Arc, embora tratada de uma forma bastante livre (bastante mesmo...), onde bruxarias, violações e outros horrores medievais são retratados de formas altamente gráficas. É só ver o trailer em baixo para se aperceberem do que estou a falar.
O que vale mesmo a pena neste filme e o que o torna verdadeiramente único é o seu aspecto visual. Se gostam de Klimt, Mucha, Aubrey Beardsley, Art Deco, Art Nouveau, aguarelas e vitrais, então este filme é manná para o vosso céu. Parece que estamos a ver pinturas a ganhar vida perante os nossos olhos. É de uma beleza inebriante. São verdadeiras galerias de tableaux em movimento.
É pena que o Ocidente ainda não tenha ouvido falar muito deste filme, porque sinceramente faz muito mais sentido ser mais conhecido e apreciado cá do que no Japão. Tem muito mais a ver com as nossas referências culturais. Embora haja, admito, uma certa lógica ter sido feito lá, visto que tanto Klimt como Beardsley se inspiraram de certa forma na arte japonesa para desenvolverem os seus estilos (o japonismo estava muito em voga na altura), o que de certa forma fecha o círculo de influências de uma forma bastante harmoniosa. O seu a seu dono. E todos sabemos que qualquer arte evolui com a fusão com uma outra, parindo assim uma nova maneira de expressão.
Estéticas e éticas à parte, este é um filme que eu recomendo mais do que vivamente. E já agora, não há nenhuma editora por aí que tenha os tomates de lançar este filme cá pelas nossas bandas? Masters of Cinema, are you listening?
Haverá alguém no Planeta Terra que não queira ver o último deslumbramento de Hayao Miyazaki? Também me quer parecer que não... E peguem lá uma bofetadinha de luva branca toda aquela gente que vaticinou a morte da animação tradicional. E vejam lá se aprendem alguma coisita.