Falar de cinema, cinema e mais cinema. Porque nunca é demais. Somos assumidamente cinéfilos, cinéfagos e cinecratas. Por isso não se metam connosco. E sim, somos maus. Mas não fazemos fitas.
Herschell Gordon Lewis é um dos realizadores de referência aqui no Maus. Por isso, estava mais que na hora de programarmos uma sessãozinha com um dos seus (muitos) clássicos. Fiquem então com WIZARD OF GORE, daquele que é justamente considerado o Padrinho do Gore no Cinema.
Confesso que nunca tinha ouvido falar deste filme e confesso também que não sei como o descobri (acho que devo ter uma espécie de talento para encontrar estas... coisas...), mas admito que fiquei fã e que quero muito ver! A melhor frase do trailer é quando a filha da mãe lobisomem (ai, este português traiçoeiro...) tenta explicar à melhor amiga o que se está a passar:
Neste filme fuderoso, nosso querido e aclamado Chumbinho atua em sua forma vampiresca, apreciador de modess ensangüentados, porque além de anão, o minivampiro é banguelo!
Agora, digam-me em pura verdade: quem é que não quer ver isto?! Delicioso! Chumbinho é o meu novo herói!
E do Purgatório dos filmes maus dos anos 80 (uma das maiores ante-câmaras do Inferno dos filmes de série Z de que há conhecimento), chega-nos este ROCKULA! Desafiando qualquer explicação e com menos defensores da sua causa do que fãs do General Idi Amin Dada, conta-nos a história de... bem, mais vale verem mesmo o trailer porque qualquer comentário meu só estragaria a magia de ver isto sem prévia preparação. Mais uma pérola da Cannon, para os conhecedores...
Thank God for the Japanese! Yoshihiro Nishimura, o mesmo de VAMPIRE GIRL VS. FRANKENSTEIN GIRL, prepara-se para lançar mais uma demência visual: HELLDRIVER. Não há mesmo muito mais a dizer a não ser para verem o trailer abaixo incorporado com a maior urgência possível! E viva a Sushi Typhoon!
eu hoje descobri o que quero ser quando for grande: vampira e lésbica. Os meus pais não acharam muita piada a esta minha decisão, mas não faz mal. Não vai ser por muito tempo que me irão impedir de eu seguir a minha verdadeira vocação: cortar pescoços com os meus caninos e sugar o cardinal líquido que escorre da carótida. Já quem achou mais piada a isto tudo foi a minha melhor amiga. Já brincamos a seguidoras da divina Sapho e tanto ela como eu gostamos da experiência. Desculpa a linguagem mais cuidada do que me é habitual, mas é que tenho de aprender a ser assim - mais poética e trágica.
- Ó Tone: que merda é essa que tás a ver, meu?
- Sei lá ou caralho! Acho que são uns manos armados em cabeças rapadas!
- Este mundo tá perdido. Foda-se.
Ricas, então é assim: aqui a vossa mais que tudo, a caturreira das caturreiras tem um novo filme a estreare! Olhem, sei lá, aconteceu! E não é que tamos todas fantásticas?! Principalmente aqui a vossa Supêtia! Só tenho a dizer coisas boas da produção: o maquiador era fantástico, o cabeleireiro era fantástico, o guarda-roupa era fantástico, enfim, mas ainda haverá dúvidas que o filme não seja fantástico?! Mas isto cá entre nós, ainda anda praí muita mulhere ressabiada - então não é que no próprio dia da estreia ouvimos uivos e gargalhadas?! É tudo mas é uma cambada de invejosas, é o que isto é. Mas olhem, vão ver o filme e mostrem a esse bando de mal-fodidas que quem não se sente é porque não é filha de boa gente!
Nos meandros da Terra do Trash, é proibido proibir, seguindo assim o mantra dos Tropicalistas. De merchandising por abrir nas minhas mãos, lanço-me à descoberta do Santo Graal qual membro da Ordem dos Cavaleiros Teutónicos do Vale das Abelhas Obreiras. A fé no lado kitsch da Força é grande e os tesouros ao longo do caminho que me leva à redenção são assombrosos e arrepiantes, fazendo lembrar as sensações experienciadas ao ouvir pela primeira vez os sons de um teclado CASIO. Em êxtase geek, rendo-me ao poder avassalador do muesli e coloco o suck-o-tron no meu colo. Bronlonius, estou perto de ti.
Só tomei conhecimento deste filme hoje, mas tornou-se imediatamente no meu filme a ver mais desejado dos últimos tempos! Gay bikers? Bring it on, motherfu#%ers!
Señoras y Señores, amigos y amigas, compañeros y compañeras: les presentamos en esta noche algo muy especial! La SUPERCHICA! Miren atentamente a su poder de partir la fucinha de los hombres malos solamente con sus manos! Esta chica no es una chica qualquier. Esta chica tiene un super cuerpo y un super pelo rubio que se descubre por abajo su super peruca! Miren a sus super artes marciales, a su super murraza y a su super puntapied! Date prisa muchacho por que LA SUPERCHICA es de lo mejor que hay! UUÁÁÁÁ!!!
Agora que eu já me dei ao trabalho de vos apresentar o senhor que se segue, já não têm desculpa para não conhecerem o grandioso Mickey Hargitay. E, tal como a sua senhora (Jayne Mansfield, para os distraídos ou leitores preguiçosos), também ele fez carreira na Europa. Esta é uma das pérolas nascidas do grão de areia que servia de metáfora ao seu talento (isto vai bem...).
Baseado em escritos do divino Marquês (não o de Pombal, that's for sure!), conta a saga de permissividade e de luxúria que é vivida no castelo do "Boia Scarlatto", quando este convida um grupo de modelos para uma sessão fotográfica e as começa a matar uma a uma com requintes de devassidão que nem os rapazitos que fizeram um tal HOSTEL se lembrariam. Nunca seriam capazes, também. Agora digam-me: o que mais se pode querer de um filme assim? Nada, não é? Perfeição trash, é só o que tenho a dizer.
PLAN 9 FROM OUTER SPACE, acautela-te: há um sério candidato ao pior filme jamais feito que ameaça tornar-se um fenómeno de massas eclipsando toda a tua energia low-budget como se de um buraco negro se tratasse. O arguido chama-se TROLL 2 (estão desculpados se nunca ouviram falar do primeiro tomo) e conta com a maior prova em seu favor nesta nobre causa o documentário que se segue.
BEST WORST MOVIE é o fruto de muito amor e de muito labor de um tal Michael Paul Stephenson, o rapazito que passa a vida a chorar neste monumento ao trash de alta categoria. Já crescidito, Stephenson documenta o verdadeiro fenómeno em que se tornou TROLL 2 e, principalmente, a vida do seu actor principal - George Hardy - que, na vida real (aquela em que se paga impostos), é um estomatologista, vulgo dentista. Isso mesmo. A sua vida poder-se-ia ler como um romance de super-herói da era moderna: "De dia extrai cáries e à noite assina autógrafos e dá entrevistas! Hardy é o seu nome!".
Marco Polo e eu fariamos uma bela dupla. A adrenalina de descobrir coisas novas está-nos no sangue. "Quanto mais para Leste melhor" seria o nosso mantra. Mas como diria sabiamente a minha irmã, "cuidado com o azeite". De côco, neste caso.
Facto: os chineses vivem do outro lado do mundo. Facto: as suas maneiras de ser, de viver e de comer são, no mínimo, muito diferentes das nossas. Facto: os seus filmes envolvem muitas vezes artes marciais e os seus corpos desafiam a gravidade terrestre como só os pássaros mais graciosos conseguem. Facto: os seus filmes, quando maus, desafiam igualmente as nossas capacidades mentais como só as mais avançadas fórmulas quânticas conseguem. E eis-nos chegados a THE OILY MANIAC.
Ok, o que fazer quando o nosso corpo e a nossa existência se vêem incapacitados por uma poliomielite e, pior ainda, quando o objecto do nosso amor não é correspondido? Suicídio? Qual quê! Há que decalcar uma fórmula mágica antiquíssima tatuada nas costas de um prisioneiro condenado à morte (que por mero acaso é nosso tio) e pô-la em prática. E é aqui que entra o azeite de côco. E mais não digo. Só acrescento que, de cada vez que o nosso herói entra em contacto com algo gorduroso, se transforma num monstro oleoso e bodeguento por causa da tal fórmula mágica que ele leva para casa e põe em funcionamento.
O resto é só divertimento trash com muitas maminhas expostas como manda a praxe e muitas mortes provocadas pelo poder avassalador do OILY MANIAC! Contando, entre outros poderes, com a capacidade de se liquefazer completamente (o que dá um jeitão quando se tem de escapar à polícia) e de interromper inoportunamente as mais variadas situações (ver foto), este semi-deus do azeite possui ainda o talento de nos fazer partir o côco a rir, passando o trocadilho, sempre que aparece em cena. Obrigatório, claro.
E porque estamos na Páscoa, que tal um filmezito de coelhinhos assassinos? Depois de verem esta preciosidade, nunca mais vão achar graça a estes "bichinhos" fofinhos... "De olhos vermelhos e pêlo branquinho, aos saltos bem altos, eu sou o coelhinho...!". Tenham medo, tenham muito medo...
Eu raramente falto ao meu prometido e tenho por norma cumprir sempre diligentemente as minhas obrigações. Na medida do possível, claro. Como tal, aqui estou eu a falar-vos de mais um filme do deliciosamente escabroso John Waters, desta feita sobre o seu último filme a preto e branco: MULTIPLE MANIACS.
Como também prometido, seguimos cronologicamente a carreira deste realizador americano e, logo à partida, MULTIPLE MANIACS surge-nos como uma ponte entre a primeira experiência de Waters na realização de longas-metragens - MONDO TRASHO - e o que ainda hoje é considerada a sua magnum opus – PINK FLAMINGOS. Encaixadinho entre os dois, MULTIPLE MANIACS mostra-nos um Waters mais à vontade com o seu meio de expressão artística de eleição (as técnicas por si usadas já não se sentem tão rudimentares como em anteriores esforços) e também mais em sintonia com o “meio ambiente” em que as suas personagens marginais se inserem (caso não saibam, Waters nasceu no seio de uma família perfeitamente normal e conservadora, mas cedo sentiu a atracção por tudo que era anormal e provocador, por assim dizer).
Assim sendo, MULTIPLE MANIACS assume-se logo à partida como um filme no mínimo provocador e ultrajante no seu melhor. Não querendo cair em spoilers, posso no entanto dizer que este filme é como sentarmos a uma mesa onde nos é servido um banquete onde os pratos competem entre si em bizarria e mau-gosto, passando a expressão (Waters é hoje apontado como um dos supremos especialistas em “bom” mau-gosto). Desde Divine, o seu parceiro no crime desde o início das suas aventuras no cinema, ser violado e posteriormente visitado pela Criança de Praga que o leva a uma Igreja onde Mink Stole, outra das suas eternas parceiras no crime, lhe dá consolo espiritual e sexual na forma de um “rosary-job” (vejam para crerem, porque eu cá não explico!), até ao ataque de um monstro que se dá pelo nome de Lobstora e a um espectáculo que se auto-denomina como Cavalcade of Perversions, há de tudo neste MULTIPLE MANIACS.
É tido por alguns fãs como o mais chocante filme de Waters, precisamente porque junta o lado perverso e fetichista do ser humano e o contrapõe com ideias e imagens altamente religiosas num cocktail molotov visual e ideológico que corrompe irremediavelmente qualquer mente burguesa. A ver obrigatoriamente, então.
A estreia do filme mais aguardado do ano (pelo menos para mim!) é já na próxima 5ª feira e o Fantas que me perdoe, mas este aqui eu não posso perder de maneira nenhuma e até já tenho uma sala de cinema de eleição e tudo: o mítico Nun'Álvares. Nem de propósito, grandes coisas vão acontecer para aqueles lados nesse dia, com direito a cocktail e tudo! Para saberem mais, sigam este link. Vocês estragam-nos de mimos!
Como brincadeira, deixo-vos aqui uma recomedação de uma outra adaptação do clássico de Lewis Carroll, feita nos saudosos anos 70 por um tal Bill Osco, o homem responsável por Flesh [sic] Gordon. Como já devem ter percebido, este filme tem os adultos como público demográfico alvo e, embora não o tenha visto, pelo trailer parece-me muito divertido. Fica a sugestão!