Falar de cinema, cinema e mais cinema. Porque nunca é demais. Somos assumidamente cinéfilos, cinéfagos e cinecratas. Por isso não se metam connosco. E sim, somos maus. Mas não fazemos fitas.
Ver este trailer encheu-me de esperança. Malick é um génio e uma lenda do cinema com apenas meia-dúzia de filmes no currículo. 2011 já não me parece tão negro agora. Obrigado, Malick.
Não sei se foi por já ter visto muito Bergman quando era mais novo, mas o que é certo é que para mim o Cinema Sueco tem que ser deprimente q.b., com uma pitada de existencialista, fortes actuações e, acima de tudo, muito bem filmado. Este FLICKAN [The Girl] parece ter todos esses elementos e é por causa disso que entra para a minha lista "a ver" sem direito a exame de admissão. Esperemos que não desiluda.
Este Top é especialmente dedicado a todos aqueles que quando se dizem as palavras "comics" e "filmes" só conseguem pensar em Batman ou Superman ou ainda Iron Man. Pois fiquem todos a saber que os filmes que se seguem são todos, todinhos baseados em comics e foram todos, todinhos adaptados ao Cinema, como comprovam os trailers que os acompanham. E se ainda não repararem, este Top é mais uma incursão no bizarro. Por isso, ponham lá os cintos de segurança e venham daí!
Benditos sejam os turcos, pois criam maravilhas do Kitsch como esta que aqui temos. Digam-me lá onde podem encontrar outro filme que tenham o Capitão América e o Homem-Aranha a combaterem entre si? Ah!, e o aracnídeo senhor é o mau da fita! Se eu vos disser que o El Santo também por lá entra, não vos vou estragar o filme, pois não? Bem me parece que não.
Guido Crepax é uma figura de culto dos Fumetti, os comics à italiana. E a sua Valentina, a musa de muitos geeks devoradores de páginas desenhadas à mão. Pois é mesmo de Itália que vem a sua maior homenagem - BABA YAGA - um clássico do Eurosleaze, com grandes doses de nudez, uma história de sexo sórdido (como convém, aliás) e muitas mulheres bonitas à mistura. Só mesmo nos 70's, meux amigox!
Que não restem dúvidas: eu AMO este filme! Desde a performance camp OTT da Jane Fonda [mas por que raios é que a mulher decidiu em dar em feminista (nos 70's) com a mania das aeróbicas (nos 80's)?!], aos cenários pop psicadélicos, às personagens, à magnífica banda-sonora, enfim, tudo mesmo! Jean-Claude Forest de certeza que não imaginaria que a sua navegadora intergalática se iria tornar um símbolo da cultura Pop quando a criou. Agradeçamos também a Roger Vadim (na altura namorado de Fonda) ter realizado um dos maiores guilty-pleasures cinematográficos de que há memória!
O realizador de EMMANUELLE serve-nos aqui um prato sofisticadíssimo, com requintes de sado-masoquismo que nem o seu anterior HISTOIRE D'O faria prever. O seu olhar meticuloso de ex-fotógrafo profissional está aqui mais presente que nunca e o meu piqueno coração só tem mesmo pena que já não hajam assim amantes do erotismo no Cinema como estes: desinibidos e provocadores como só algumas mentes visionárias o conseguem ser.
Ora aqui está uma espécie de raridade: uma produção dos anos 50 com músicas à mistura e tudo, como convém, baseado no comic strip de Al Capp sobre uma família de hillbillies, habitantes de uma tal Dogpatch lá para as bandas do Kentucky. Se vos parece bem, aos americanos também, visto que este Sr. Capp desenhou durante 43 anos as aventuras e desventuras dessa mesma família, sempre com um tom mais do que irónico. O filme tem a particularidade de ter actores que são a "cara" dos personagens.
Este Lupin III é de tal forma famoso na sua terra natal - o Japão - que já se fez de quase tudo para explorar essa mesma situação de privilégio na cultura popular de um país: séries de anime, uma longa-metragem de animação que tem a distinção de ser a primeira do Mestre Hayao Miyazaki e ainda um filme em imagem real, o tal que vos trago aqui hoje. Digamos que este Lupin está para os japoneses como o Astérix está para os franceses. E tem muita pinta, também!
Mais um famoso Fumetti italiano, desta feita levado ao cinema por um dos grandes: Mario Bava. Filmado como se de um comic book se tratasse, Bava consegue (com a ajuda preciosa de uma banda-sonora de um outro mestre italiano, Ennio Morricone) um filme de inegável Pop appeal, com um dos personagens mais enigmáticos e esquivos de que há memória. Ah!, e é deste filme que Mike Myers tira o famoso riso maquiavélico para o Sr. Evil, o que o classifica logo de visão obrigatório para qualquer fã deste piqueno blog.
Não há mesmo muito a dizer. Eu avisei que este Top tinha conotações assumidas de bizarro, não avisei? Pois é, por isso não se queixem. E aposto que não sabiam que era baseado num comic, pois não? Mas é. Estes alemães são levados para a brincadeira, não são? Querem saber uma trivia deliciosa? Este filme no Brasil levou o título de CAMISINHA ASSASSINA. Lindo!
A meu ver, uma das mais fiéis e mais bem conseguidas adaptações de um comic ao Cinema e só tenho mesmo pena que não seja mais conhecido no Ocidente, porque realmente merece toda a atenção que lhe possamos dedicar. Efeitos especiais muito acima da média dos que eram feitos na altura, uma narrativa cheia de acção que nunca pára para respirar, um actor principal que, não obstante a sua tenra idade, consegue perfeitamente dar conta do trabalho, enfim, o que mais dizer. Vejam-no a todo o custo. Prometo que não vão se arrepender.
E terminamos em grande com aquela que é para mim uma das melhores adaptações de sempre de um comic ao grande ecrã. Estes nossos vizinhos sabem mesmo fazer coisas muito boas quando querem e a prova está toda aqui. Hilariante, daqueles de fazer doer a barriga de tanto rir, Javier Fesser está aqui mais do que parabéns por ter criado um comic book em movimento. Porque é isso mesmo que isto é - pura animação, no pleno sentido da palavra.
No mundo do cinema independente, Bruce LaBruce sempre foi um caso à parte. Digamos que é um verdadeiro indie, escolhendo temas que poucos realizadores ousam sequer tocar. Como é o caso dos neo-nazis gays, por exemplo. Mas sempre com uma grande ironia subjacente, está claro. E já não era sem tempo que alguém lhe dedicasse um documentário. Pois é isso mesmo que vos trago aqui hoje - o trailer de THE ADVOCATE FOR FAGDOM, um estudo sobre o seu tipo de cinema muito particular com entrevistas a peritos na matéria (entre eles o favorito John Waters). Deitem então uma espreitadela à coisa e se ainda não descobriram o trabalho deste senhor, então não há melhor oportunidade do que esta. Até já.
Depois do fabuloso MOON, Duncan Jones, o filho de David Jones, mais conhecido por David Bowie, prepara-se para lançar em Março de 2011 mais um filme com contornos sci-fi. SOURCE CODE é o nome e pelo trailer poder-se-á dizer que é uma espécie de GROUNDHOG DAY em formato thriller de acção. Pelo menos é o que parece. O que é o suficiente para eu e concerteza muito boa gente ficarmos intrigados. Venha ele.
Levante a mão quem quer ver uma coisa destas! Estão acanhados? Então levante a mão quem NÃO quer admitir que quer ver asiáticos em altas cambalhotas à moda antiga e ainda por cima em 3D? Ah!, agora sim! Amigos, sejamos sinceros: TODOS nós queremos ver este filme nem que seja só por curiosidade. Se me perguntarem, foi para isto que o 3D foi inventado. E para aquela maravilha que é o 3º tomo da saga JACKASS, presentemente em exibição em salas portuguesas. Bring it on, baby!
Ver este teaser deu-me umas enormes saudades de rever o belíssimo THE COMPANY OF WOLVES. O que não deve ser compreendido pelo estimado leitor como um bom sinal...
Devo admitir que quando este filme foi anunciado para lançamento em formato Blu-Ray em terras francesas já lá vai para dois anos, fiquei roidinho de inveja. Primeiro: ainda não tinha feito o upgrade para o HD (nem TV tinha, quanto mais leitor...); segundo: é o meu filme de Fellini favorito e angustiava-me saber que aquelas imagens gloriosas que o Mestre criou a partir das lendárias Memórias de Casanova estavam agora melhor do que nunca, com as suas cores garridas e cenários barrocos bem ao estilo italiano.
Hoje, posso dizer que este foi um dos filmes que me fez alargar os cordões à bolsa (por outras palavras, comprei uma TV HD e respectivo leitor Blu-Ray) para assim o poder ver na melhor qualidade possível, fazendo assim jús a todo o talento envolvido na produção desta obra-prima.
Embora este filme seja mal-amado, até pelos fãs mais acérrimos de Fellini, é para mim um pecado que não seja mais e melhor conhecido por todos os cinéfilos por esse mundo fora. Senão vejamos: fotografia a cargo do grande Giuseppe Rottuno, cenários do mítico Dante Ferretti, uma banda-sonora que tem tanto de bela como de mágica do lendário Nino Rota e Donald Sutherland no papel de Giacomo Casanova, o veneziano que fascinou e continua a fascinar toda uma geração de historiadores e sexólogos. As cartas estão na mesa e o jogo, como se pode prever, é infalível.
Em sua defesa, tenho a dizer que se não encararmos o cinema narrativo como o alfa e o omega da 7ª Arte a nível da construção de um argumento, então estamos no bom caminho para melhor compreendermos o fascínio deste filme. Fellini já em SATYRICON estava a caminhar para uma espécie de cinema episódico (algo que ainda hoje é visto de maneira negativa e não como algo profundamente criativo e fora da norma, sempre a marca de qualquer grande autor/criador) e ele leva essa mesma matriz para o seu CASANOVA, que mais não são do que retalhos da sua vida cosidos com a mais invisível das linhas. As elipses são constantes e sem sobre-aviso, o que só ajuda ao onirismo da obra. Porque é exactamente isso que este filme é (pelo menos, a meu ver): as recordações de um velho mulherengo a quem a vida até lhe correu bem e de quem a sua fama sempre lhe precedeu e o fez viajar por meio mundo e conhecer outro tanto.
Resultado: por vezes, parece que estamos a visitar um museu de figuras de cera dedicado à sua vida, onde tudo é artificial e propositadamente assim. Fellini não esconde que tudo isto poderão ser os devaneios de um velho louco, que não sabe no ridículo que caiu. Durante estas festividades, somos regalados com imagens extraordinárias em catadupa, num acumular de sensações visuais que roçam o barroco, visto que a sua única função é a própria acumulação em si.
Eu cá não me canso destas coisas, por isso aqui fica a minha mais alta recomendação para (re)descobrirem este filme.
Agora que nos aproximamos a passos largos de uma nova era para a Humanidade (dizer isto com voz grave acompanhada de rufar de tambores), o Homem tenta perceber essa mudança cataclísmica através das Artes. SERES: GENESIS é uma dessas tentativas e questiona a verdadeira génese da nossa raça de maneira até agora nunca vista [se bem que o trailer lembra X-FILES, CLOSE ENCOUNTERS OF THE THIRD KIND e THE DAY THE EARTH STOOD STILL; convençam-se, já foi tudo inventado, meus amigos!]. Resta-nos aguardar!
Confesso que nunca tinha ouvido falar deste filme e confesso também que não sei como o descobri (acho que devo ter uma espécie de talento para encontrar estas... coisas...), mas admito que fiquei fã e que quero muito ver! A melhor frase do trailer é quando a filha da mãe lobisomem (ai, este português traiçoeiro...) tenta explicar à melhor amiga o que se está a passar:
Já há muito que ando para escrever sobre este mágico filme, uma produção sérvia com imagens que parecem saídas da simbiose entre os cérebros de Jeunet e de Gilliam. Uma história singular, a de duas irmãs carpideiras que vivem numa aldeia perdida onde não há homens nenhuns, visto que todos partiram para a guerra e para a eventual morte prematura. Minto: há um homem, um senhor muito velhinho e acamado que elas vão acabar por matar sem intenção. Coitadas. Ficam então sem escolha, ou são queimadas vivas, ou partem à procura de um homem que terão que encontrar no espaço de três dias, senão, de volta para a fogueira. Está mais que visto qual o caminho que elas escolhem, não está?
Como estão a ver, a história é fantástica e as imagens não ficam atrás como poderão ver pelo trailer abaixo incorporado. É uma pena que este filme não seja mais conhecido, porque é este tipo de cinema que deve ser aplaudido e visto pelo maior número de pessoas. Cinema de alto entretenimento visual e originalidade. Fica aqui a recomendação.
Um dos mais fortes filmes desta temporada, RABBIT HOLE, o mais recente do wünderkind John Cameron Mitchell que assina um dramalhão à antiga com uma actriz de topo - Nicole Kidman. Depois do provocante HEDWIG AND THE ANGRY INCH e do fabuloso SHORTBUS, Mitchell parece ter encontrado um veículo para mostrar às grandes massas que é perfeitamente capaz de realizar um filme sobre o seu tema favorito (as relações humanas em situações limite) sem recorrer a cenas ou situações marginais/marginalizadas. Kidman parece em plena forma também, o que se agradece depois de recentes deslizes. Resumindo, quero ver, claro! Urgentemente!
Ai glorioso dia, que te avizinhaste tão precoce na tua graça! Bem hajas, tu que nos trazes estas benesses como quem sabe saciar a nossa sede! Não há data mais ditosa que esta, a que nos trouxe as primeiras imagens do tua nova face! BALADA TRISTE DE TROMPETA te apelidas e nós, genuflexados, agradecemos-te. Salvé!
Um exercício interessante para quem quiser ver como 40 anos de evolução na arte de fazer Cinema fazem toda a diferença. Os dois são clássicos à sua maneira, mas por razões completamente diferentes. Um porque mostra tudo, o outro porque deixa tudo à imaginação de cada um. E ambos funcionam. Coisa rara. E ainda bem que assim o é.
E se MARY POPPINS fosse um filme de terror? Aqui fica a resposta em baixo e a prova que a montagem é (quase) tudo no Cinema. Se me perguntarem a mim, eu sempre achei estas perceptoras um pouco assustadoras, por isso não é preciso muita imaginação para levar esta brincadeira a sério...
Quando mudar de casa se torna um pesadelo (e este vai de encomenda para uns certos membros do Maus que estão prestes a fazer isso mesmo... muah ha ha!). Divirtam-se com as mudanças, meninos!