Sal

quarta-feira, 1 de junho de 2011



    Foi há 30 anos, no Rio de Janeiro, que Glauber aparou a barba, arranjou o cabelo e deixou crescer as asas e, depois de um episódio de breve, mas definitivo fenecimento corpóreo, decidiu sobrevoar as grandes e as pequenas cidades, burgos, aldeias e lugares. Tocar pessoas, acompanhar cães nos passeios, histéricos atrás das moscas, observou gatos e foi gatos. Troçou das efémeras porque se garantiu eterno.

                Rompeu com aprumados, bem-vestidos, bem-falantes, bem-falados, agarrou indigentes, embalou mulheres grávidas solitárias e cuspiu no FMI. Viu Cristo e deu-lhe um par de tapas, por ele mesmo ter comido toda a areia que lhe cabia no estômago a fingir, para aliviar os sertanejos das vidas secas que levam. Encontrou Deus e fez-lhe uma rasteira rasteira pela distracção quanto aos Sem-Terra. Amparou Tom Zé da queda que iria dar na banheira e afinou o ré do violão de Toquinho. Sentou-se nos ombros do Corcovado, a jogar canasta com Guimarães Rosa. 

                Pediu satisfação a Cristo por Pixote e cada pivete mal-amado, desperdiçado, e recebeu uns quantos vindos direitinhos da Candelária. Tornou-os estros de Caetano e de Gil. Também o foram outrora de Cartola e Noel. Pelos favelados arriou, sussurrando, ciciando, murmurando, segredando, rumorejando que o “morro não tem vez”. Reviveu o tráfico negreiro e a lei Áurea, não pode deixar de achegar os trabalhadores dos grandes latifúndios aos negros da senzala e então bradou-se em lamúria, sangrou e sangrou, deliberou que toda a gente havia de ser livre, porque quem trabalha porque tem fome, tem fome de liberdade e de asas e de ar fresco.

    Infiltrou-se sublimado num edifício gigante. Outrora fora uma construção de uns tantos blocos de betão armado, gradeado num padrão ora grade, ora cimento, ora grade, ora cimento. Agora, eram umas quantas caixas de cartão gigantes, para onde se jogavam homens criminais culpados dos males inteiros do Brasil. Empurrava-se aqui e lá cabia mais um, calcava-se ali e cabia outro pequenito, matavam-se dois para plantar uns cinco. Um dia, as caixas tiveram paredes côncavas e saíam coisas pelas grades e pelas juntas, pertences escassos dos homens ruins do Brasil. Felizmente, as forças policiais das caixas, com nome tupi-guarani, Carandiru, mataram uns quantos. As espumas dos sangues adidos ao éter de Glauber, agravaram o seu pêsame de eternidade em 250 homens.  
   
    Deu palmadinhas de alento e estímulo nas costas de Teotônio Vilela e nas de Tancredo Neves, abriu os braços pela emancipação do povo – Diretas Já! – exigia o PMBD. –Directas Já! Ajoelhou à tornada ao poder civil de ‘85, regozijou-se com a nova constituição federal de ‘88 e pelas directas para a presidência da república de ‘89, cantou hinos celestes saídos directamente do seu coração deveras revolucionário e lastimou fazer tão cedo a grande viagem e a sina de somente assistir a este prenúncio de dignidade dado ao seu povo assalariado, caipira, pescador, gaúcho, cantoneiro, flanelinha, favelado, mal-amado, que diria Jorge?
  
    Desde há 30 anos, que beija todas as faces dos filhos todas as noites e as bocas de todas as mulheres, no beijo impassível de anjo que pode; continua a achar Chico burguês, mas, este, por sorte, continua esquerdista. Empurrou Dilma para o lugar onde ela está e ameaçou, cara-a-cara Médici de ajuste de contas. Amou com violência Tião por o macaco representar a estética da fome e a estética da violência.

     Envergonhou-se de Collor de Mello, Ai Iemanjá! …e o que fez ele ao seu Brasil brasileiro, negro, mestiço, indígena, azul, verde, branco e amarelo, sincrético e depois patético e deflacionado!? Indignou-se com Sarkozy, com Obama, com a NATO, com o petróleo, com o gás natural, com a dívida ao Banco Mundial, rasgou as faces com mágoas de revolta, zanga e ácido porque para haver os que comem, sobra tanta mas tanta gente com fome e para haver quem se calce, existe tanta garotada descalça.
              

 FILHOS DA PUTA – não sobra nada!

 FILHOS DA FRUTA – não lutam por nada!

 FILHOS DA GRUTA – não lhes cabe nada!

Cabe-nos a nós, sobra-nos a nós, temo-lo para nós: O SAL DE GLAUBER.
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Mike Mignola & Guillermo Del Toro

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


A parceria entre o artista de design Mike Mignola e o realizador Guillermo del Toro é uma das minhas favoritas. As suas sensibilidades artísticas parecem confluir na perfeição, quase como se tivessem nascido para tal. A mais recente colaboração foi para a capa da edição em DVD e Blu-Ray de CRONOS para a Criterion Collection, mas fiquem também com outras igualmente icónicas. Já imaginaram bem um posterzinho destes numa parede de vossa casa?

 

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Top 10 Comic Movies: the Bizarro Edition

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


Este Top é especialmente dedicado a todos aqueles que quando se dizem as palavras "comics" e "filmes" só conseguem pensar em Batman ou Superman ou ainda Iron Man. Pois fiquem todos a saber que os filmes que se seguem são todos, todinhos baseados em comics e foram todos, todinhos adaptados ao Cinema, como comprovam os trailers que os acompanham. E se ainda não repararem, este Top é mais uma incursão no bizarro. Por isso, ponham lá os cintos de segurança e venham daí!

10º: 3 Dev Adam de T. Fikret Uçak


Benditos sejam os turcos, pois criam maravilhas do Kitsch como esta que aqui temos. Digam-me lá onde podem encontrar outro filme que tenham o Capitão América e o Homem-Aranha a combaterem entre si? Ah!, e o aracnídeo senhor é o mau da fita! Se eu vos disser que o El Santo também por lá entra, não vos vou estragar o filme, pois não? Bem me parece que não.




9º: Baba Yaga de Corrado Farina

 

Guido Crepax é uma figura de culto dos Fumetti, os comics à italiana. E a sua Valentina, a musa de muitos geeks devoradores de páginas desenhadas à mão. Pois é mesmo de Itália que vem a sua maior homenagem - BABA YAGA - um clássico do Eurosleaze, com grandes doses de nudez, uma história de sexo sórdido (como convém, aliás) e muitas mulheres bonitas à mistura. Só mesmo nos 70's, meux amigox!




8º: Barbarella de Roger Vadim


Que não restem dúvidas: eu AMO este filme! Desde a performance camp OTT da Jane Fonda [mas por que raios é que a mulher decidiu em dar em feminista (nos 70's) com a mania das aeróbicas (nos 80's)?!], aos cenários pop psicadélicos, às personagens, à magnífica banda-sonora, enfim, tudo mesmo! Jean-Claude Forest de certeza que não imaginaria que a sua navegadora intergalática se iria tornar um símbolo da cultura Pop quando a criou. Agradeçamos também a Roger Vadim (na altura namorado de Fonda) ter realizado um dos maiores guilty-pleasures cinematográficos de que há memória!




7º Gwendoline de Just Jaeckin


O realizador de EMMANUELLE serve-nos aqui um prato sofisticadíssimo, com requintes de sado-masoquismo que nem o seu anterior HISTOIRE D'O faria prever. O seu olhar meticuloso de ex-fotógrafo profissional está aqui mais presente que nunca e o meu piqueno coração só tem mesmo pena que já não hajam assim amantes do erotismo no Cinema como estes: desinibidos e provocadores como só algumas mentes visionárias o conseguem ser.




6º: Li'l Abner de Melvin Frank


Ora aqui está uma espécie de raridade: uma produção dos anos 50 com músicas à mistura e tudo, como convém, baseado no comic strip de Al Capp sobre uma família de hillbillies, habitantes de uma tal Dogpatch lá para as bandas do Kentucky. Se vos parece bem, aos americanos também, visto que este Sr. Capp desenhou durante 43 anos as aventuras e desventuras dessa mesma família, sempre com um tom mais do que irónico. O filme tem a particularidade de ter actores que são a "cara" dos personagens.




5º: Lupin the Third: Strange Psychokinetic Strategy de Takashi Tsuboshima


Este Lupin III é de tal forma famoso na sua terra natal - o Japão - que já se fez de quase tudo para explorar essa mesma situação de privilégio na cultura popular de um país: séries de anime, uma longa-metragem de animação que tem a distinção de ser a primeira do Mestre Hayao Miyazaki e ainda um filme em imagem real, o tal que vos trago aqui hoje. Digamos que este Lupin está para os japoneses como o Astérix está para os franceses. E tem muita pinta, também!




4º: Danger: Diabolik de Mario Bava


Mais um famoso Fumetti italiano, desta feita levado ao cinema por um dos grandes: Mario Bava. Filmado como se de um comic book se tratasse, Bava consegue (com a ajuda preciosa de uma banda-sonora de um outro mestre italiano, Ennio Morricone) um filme de inegável Pop appeal, com um dos personagens mais enigmáticos e esquivos de que há memória. Ah!, e é deste filme que Mike Myers tira o famoso riso maquiavélico para o Sr. Evil, o que o classifica logo de visão obrigatório para qualquer fã deste piqueno blog.





3º: Killer Condom de Martin Walz


Não há mesmo muito a dizer. Eu avisei que este Top tinha conotações assumidas de bizarro, não avisei? Pois é, por isso não se queixem. E aposto que não sabiam que era baseado num comic, pois não? Mas é. Estes alemães são levados para a brincadeira, não são? Querem saber uma trivia deliciosa? Este filme no Brasil levou o título de CAMISINHA ASSASSINA. Lindo!





2º: Watari Ninja Boy de Sadao Nakajima


A meu ver, uma das mais fiéis e mais bem conseguidas adaptações de um comic ao Cinema e só tenho mesmo pena que não seja mais conhecido no Ocidente, porque realmente merece toda a atenção que lhe possamos dedicar. Efeitos especiais muito acima da média dos que eram feitos na altura, uma narrativa cheia de acção que nunca pára para respirar, um actor principal que, não obstante a sua tenra idade, consegue perfeitamente dar conta do trabalho, enfim, o que mais dizer. Vejam-no a todo o custo. Prometo que não vão se arrepender.
 



1º: La gran aventura de Mortadelo y Filemón de Javier Fesser


E terminamos em grande com aquela que é para mim uma das melhores adaptações de sempre de um comic ao grande ecrã. Estes nossos vizinhos sabem mesmo fazer coisas muito boas quando querem e a prova está toda aqui. Hilariante, daqueles de fazer doer a barriga de tanto rir, Javier Fesser está aqui mais do que parabéns por ter criado um comic book em movimento. Porque é isso mesmo que isto é - pura animação, no pleno sentido da palavra.

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Alerta Trailer: Seres: Genesis

sexta-feira, 12 de novembro de 2010



Agora que nos aproximamos a passos largos de uma nova era para a Humanidade (dizer isto com voz grave acompanhada de rufar de tambores), o Homem tenta perceber essa mudança cataclísmica através das Artes. SERES: GENESIS é uma dessas tentativas e questiona a verdadeira génese da nossa raça de maneira até agora nunca vista [se bem que o trailer lembra X-FILES, CLOSE ENCOUNTERS OF THE THIRD KIND e THE DAY THE EARTH STOOD STILL; convençam-se, já foi tudo inventado, meus amigos!]. Resta-nos aguardar!

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Filme do Dia: Vampiros en la Habana

segunda-feira, 25 de outubro de 2010



E que melhor coisinha para começar a semaninha do que um filme de animação cubano com vampiros e gangsters à mistura? E depois digam lá que eu não vos trato bem...

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Top 10 filmes bizarros de Vampiros

domingo, 17 de outubro de 2010


E já que esta semana tivemos muita vampiragem aqui pelo Maus, que tal terminar em grande com um Topzito dedicado aos mais bizarros filmes de vampiros de que me consegui lembrar? Fui buscá-los aos quatro cantos do mundo e a variedade aqui é tão grande que só prova mesmo que estas criaturinhas pálidas e aterradoras ainda vão andar entre nós por muito mais tempo. Também, é suposto serem imortais, correcto? Comecemos então. Ah!, desta vez não há lugares porque, como poderão ver, eles são todos tão bizarros à sua maneira que seria até um pouco injusto decidir qual estaria nesta ou naquela posição. Aqui ficam eles então, todos em pé de igualdade.

Blacula de William Crain


E começamos fortes! O que é que acontece quando se junta Blaxploitation com Vampirismo? Acontece este BLACULA, that's what motherfucker! Este mano gosta mesmo é de ferrar pescocinhos de damas - e elas, de serem ferradas por ele. Já se sabe, once you go black, you never go back!


Zinda Laash de Khwaja Sarfraz


Também conhecido como DRACULA IN PAKISTAN, este delírio Bollywood com canções à mistura e tudo, consegue transpôr o original de Bram Stoker para a Índia como se nada fosse. Neste caso, o vampiro em questão era um cientista que ficou assim virado para o sangue após beber uma mistura que, em princípio, lhe daria a imortalidade. A coisa deu para o torto, claro. Como estão a ver, isto é Dr. Jekyll and Mr. Hyde, Dracula e drama musical tudo à mistura numa grande masala! Imperdível.


Cronos de Guillermo Del Toro


Guillermo Del Toro prova aqui com a sua primeiríssima longa-metragem que já era um gajo com ideias e visão. Aqui o vampirismo é originado por um antiquíssimo artefacto em forma de escaravelho dourado feito por um alquimista do século XVI que, mais uma vez, está feito para garantir a imortalidade a quem o utilizar (mas será que estes gajos não aprendem que essa cena de vida eterna é muito má onda? Dá sempre para o torto!). O interessante da coisa é que nos mostra o vampirismo como uma dependência. Ah!, e tem como personagem principal um velhote dono de um antiquário que vai utilizar esse mesmo artefacto para se sentir mais jovem e viril. Como nós o percebemos...


El Vampiro de Fernando Méndez


Dracula no México soa-vos mal? Pois a este señores não. Se há coisas que os países da América Latina sempre souberam fazer de maneira... como dizer, ímpar... foi pegar em aspectos culturais de outros países e introduzi-los na sua cultura sem pensar muito na coisa. Os indianos têm a masala, os mexicanos... a piñata...? Bem hajam, porque não há realmente que ser snob nestas coisas da cultura!


Legend of the 7 Golden Vampires de Roy Ward Baker


Ok, mais uma: o que é que acontece quando se pega nos filmes da Hammer e se mistura com artes marciais? Acontece esta coisa assustadora que estão a ver em cima! Feito numa altura em que os filmes do Bruce Lee estavam "a dar" (dinheiro, claro), este filme faz-me lembrar o Dragon Ball: "Fu-são!".


Mr Vampire de Ricky Lau


E se a moda não pegou muito cá para os nossos lados, pelos vistos lá para a Ásia a coisa deu resultado. E o resultado é outra bizarria, desta feita vinda all the way from Hong Kong. Os vampiros aqui saltam. Alto. Muito alto. I kid you not. Só vendo para crerem. Fez grande sucesso e é hoje um dos clássicos do cinema de terror asiático. It's a strange world, I know.


Thirst de Park Chan-wook


E continuamos no Oriente, desta feita na Coreia do Sul onde uma história carregada de simbolismos religiosos nos provoca com o poder da sua mensagem e das suas imagens, criadas nada mais, nada menos do que pelo enfant terrible daquelas bandas: Park Chan-wook, o Sr. Oldboy. A surpresa aqui é vermos um padre católico sul-coreano a combater os seus demónios pessoais e a falhar miseravelmente. E a apaixonar-se pelo meio. Soa-vos a um bom filme? Então é porque é mesmo. Altamente recomendável.


Thirst de Rod Hardy


Mas já em 1979 alguém se tinha lembrado de fazer um filme sobre vampiros com esse nome. E na Austrália, no less (eu disse-vos que os fui buscar aos quatro cantos do mundo, não disse? Não estava a brincar, como vêem). Neste filme vamo-nos deparar com uma comunidade de vampiros que usam os humanos como fonte de subsistência e onde os criam em quintas para assegurar a sua sanguinária sobrevivência. Se isto vos soa a um outro filme que por aí anda que fala mais ou menos da mesma coisa (cof... DAYBREAKERS... cof...), então não estão a imaginar coisas. E agora damos um salto através do Pacífico em direcção aos good old U. S. of A.


Jesus Christ Vampire Hunter de Lee Demarbre


Sim, este filme é exactamente tudo aquilo que estão a pensar. E ainda mais! Só para terem uma ideia da natureza desta besta, deixo-vos com a descrição que aparece no Imdb: "Kung-Fu Action / Comedy / Horror / Musical about the second coming". Para mim isto é o suficiente para o incluir em qualquer lista que se preze.


Vampire Girl vs. Frankenstein Girl de Yoshihiro Nishimura


E fechamos com chave de ouro com um dos mais bizarros filmes saídos do Japão ou de qualquer outro país! Esta demência visual é de visão obrigatória para todos os fãs de filmes de vampiros! O meu sonho é pôr um fã da saga Twilight a ver isto com aqueles grampos nos olhos à la Laranja Mecânica! Bem que eles merecem, não é? Bom Domingo, pessoal!

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Os filmes que eu quero ver: As Taras do Mini-Vampiro

terça-feira, 12 de outubro de 2010



Descrição:

Neste filme fuderoso, nosso querido e aclamado Chumbinho atua em sua forma vampiresca, apreciador de modess ensangüentados, porque além de anão, o minivampiro é banguelo!

Agora, digam-me em pura verdade: quem é que não quer ver isto?! Delicioso! Chumbinho é o meu novo herói!


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24/07/10 - Life In A Day

sexta-feira, 23 de julho de 2010



É já amanhã! O concurso video mais megalómano de sempre! Fiquem com a síntese:

"A vida em um dia" é uma experiência global histórica para criar o primeiro longa-metragem do mundo gerado por usuários: um documentário, filmado em um único dia, por você. Em 24 de julho, você terá 24 horas para documentar um trecho da sua vida com uma câmera. As filmagens mais interessantes e originais serão editadas em um documentário experimental, produzido por Ridley Scott e dirigido por Kevin Macdonald.

Para obter mais informações, visite youtube.com/lifeinaday.



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A Nossa Carmen

segunda-feira, 21 de junho de 2010



Há aqui no Maus da Fita acérrimos fãs do furacão que foi Carmen Miranda (bem, pelo menos um; ok, sou eu...) e não podiamos deixar escapar de mencionar uma exposição a si dedicada e organizada pela Fundação D. Luís I.

Vai estar patente no Centro Cultural de Cascais até 26 de Setembro (foi inaugurada no passado dia 18 de Junho) e pelo que até agora me foi dado conhecer, vai estar recheadinha de coisas boas. E raras! Esta luso-brasileira, nascida em Marco de Canaveses, deixou muitas saudades e um legado enorme. E falando em legado, fiquem com uma lendária sequência musical de um dos seus filmes mais conhecidos: THE GANG'S ALL HERE!

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Alerta Teaser: Biutiful

quarta-feira, 19 de maio de 2010



O Festival de Cannes já vai a meio e já se fala em possíveis vencedores e é nestas alturas que as engrenagens por trás dos filmes se fazem sentir em toda a sua intensidade. Um dos grandes favoritos (e que está a dividir opiniões, como manda a regra de qualquer filme que provoca o espectador) é o novo de Alejandro BABEL Iñarritu. Chama-se BIUTIFUL e conta com um enorme Javier Bardem no principal papel com a trama centrada em Barcelona. Fiquem com um cheirinho do que aí vem neste promo recentemente lançado para a internet.

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Oscars 2010: e os nomeados são...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010




Algumas surpresas, mas sobretudo muita previsibilidade. Como sempre, aliás...

Best Supporting Actress
Penelope Cruz, Nine
Vera Farmiga, Up in the Air
Maggie Gyllenhaal, Crazy Heart
Anna Kendrick, Up in the Air
Mo'nique, Precious

Best Supporting Actor
Matt Damon, Invictus
Woody Harrelson, The Messenger
Christopher Plummer, The Last Station
Stanley Tucci, The Lovely Bones
Christoph Waltz, Inglourious Basterds

Best Actress
Sandra Bullock, The Blind Side
Helen Mirren, The Last Station
Carey Mulligan, An Education
Gabourey Sidibe, Precious
Meryl Streep, Julie & Julia

Best Actor
Jeff Bridges, Crazy Heart
George Clooney, Up in the Air
Colin Firth, A Single Man
Morgan Freeman, Invictus
Jeremy Renner, The Hurt Locker

Best Director
James Cameron, Avatar
Kathryn Bigelow, The Hurt Locker
Quentin Tarantino, Inglourious Basterds
Lee Daniels, Precious
Jason Reitman, Up in the Air

Original Screenplay
Mark Boal, The Hurt Locker
Quentin Tarantino, Inglourious Basterds
Alessandro Camon & Oren Moverman, The Messenger
Joel & Ethan Coen, A Serious Man
Pete Docter, Bob Peterson, & Thomas McCarthy, Up

Adapted Screenplay
Neil Blomkamp & Terri Tatchell, District 9
Nick Hornby, An Education
Jesse Armstrong, Simon Blackwell, Armando Ianucci, & Tony Roche, In the Loop
Geoffrey Fletcher, Precious
Jason Reitman & Sheldon Turner, Up in the Air

Foreign Language Film
Ajami (Israel)
El secreto de sus ojos (Argentina)
The Milk of Sorrow (Peru)
Un Prophete (France)
The White Ribbon (Germany)

Animated Film
Coraline
Fantastic Mr. Fox
The Princess and the Frog
The Secret of Kells
Up

Best Picture
Avatar
The Blind Side
District 9
An Education
The Hurt Locker
Inglourious Basterds
Precious
A Serious Man
Up
Up in the Air


Será este o ano de AVATAR? Tudo indica que sim, mas já é também tradição haver prémios inesperados para filmes muito menos cotados, por isso resta-nos esperar... Ah, e Meryl Streep soma mais uma nomeação! Será esta a 13ª ou a 14ª? Já lhe perdi a conta!
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Top 5 filmes: um Natal fora do normal

domingo, 20 de dezembro de 2009


Se pertencem àquele grupo de pessoas que já não consegue mais ver ou ouvir falar do HOME ALONE, se para vocês THE SOUND OF MUSIC é tudo menos MÚSICA NO CORAÇÃO, se estão quase a perder a fé que existam por aí filmes de e sobre o Natal que não envolvam personagens inverosímeis de tão bonzinhos que são, então este Top também não é para vocês. Não que eu vos vá recomendar filmes que passem nas aulas de Religião e Moral. Não, não é isso, também. Eu explico: os próximos filmes que se seguem não são recomendáveis a palatos refinados ou a espectadores que não gostem do bizarro. Não, senhor. São para aqueles que procuram um Natal fora do normal, exactamente como diz no título. Acompanhem-me.

5º Ex-aequo: How The Grinch Stole Christmas de Ron Howard e A Christmas Carol de Robert Zemeckis

Ok, por favor criem um blog ou uma petição online para difundir o seguinte: Jim Carrey, já chega de nos assustares com as tuas “tentativas” de bons filmes de Natal. É que já começa a ser bizarro demais. Primeiro, tivemos que levar com a tua perturbante interpretação do personagem clássico do Dr. Seuss, o Grinch (até o Michael Jackson - paz à sua alma - se deve ter admirado com as parecenças físicas…). Agora, como se não bastasse, voltas-nos a assombrar com um arrepiante Mr. Scrooge, totalmente digital, mas não menos assustador. Só de olhar para as tuas fotos aqui em cima, já me arrepio todo. E asseguro-te que não é do frio que está!


4º: The March of the Wooden Soldiers de Gus Meins e Charley Rogers

Este filme com Laurel e Hardy (o Bucha e o Estica, para os tugas in da house), embora não seja propriamente sobre o Natal, está associado a ele porque é um filme que lá para os States é passado inúmeras vezes na televisão nesta altura do ano e, além disso, é baseado no clássico Babes in Toyland . Na altura, foi considerado uma super-produção e, diga-se de passagem, o dinheiro está bem lá à vista. Aqui, a fasquia do nível de bizarria é elevada uns pontos porque chega-se a uma altura do filme em que já começa a ficar desconfortavelmente estranho ver tanta gente tão mal maquiada e tantos cenários artificiais. Sinais do tempo, eu sei, mas não deixa de ser menos bizarro por causa disso.

3º: Christmas on Mars de Wayne Coyne

Quem diria que os Flaming Lips algum dia iriam fazer um filme? E de Natal, nem mais. Filmado a preto e branco, com algumas cenas a cores e muita estranheza à mistura, este é um clássico contemporâneo a descobrir urgentemente. Uma mistura de ERASERHEAD, 2001: A SPACE ODYSSEY e qualquer um dos melodramas de Frank Capra, CHRISTMAS ON MARS cativa porque está feito com muita sinceridade e muita vontade de criar algo genuinamente diferente. Ah, e no DVD de edição americana, as únicas legendas disponíveis são em russo e em verde!


2º Santa Claus Conquers The Martians de Nicholas Webster

E continuando em Marte, digamos que este filme seria o filme de Natal que Ed Wood faria se estivesse para aí virado. Dizer que é de baixo orçamento seria uma redundância. Dizer que é bizarro, um pleonasmo. Mas se algum dia quiseram ver um filme onde o Pai Natal é raptado por marcianos porque os seus pequenos e verdes filhos estão a ser expostos diariamente às suas influências benéficas através da televisão (eu sei, não me perguntem!), então este filme é para vocês. Pia Zadora tem aqui o seu primeiro papel no cinema. Enquanto criança, claro.


1º: Santa Claus de René Cardona

À partida, um filme com um título assim tão inócuo não suscitaria qualquer tipo de reacções virulentas de pasmo e de queixos caídos como esta pérola mexicana provoca a qualquer espectador que se aventure a vê-la. Mas o que é certo é que ela está neste primeiro lugar por alguma razão. Se eu vos disser que, além do Pai Natal é claro, os seus personagens incluem o Diabo, o mago Merlin e um arraial de crianças de todo o mundo que nos vão cantar e espantar com as suas canções natalícias próprias dos seus países de origem e que o enredo consiste numa batalha entre o bem e o mal pela felicidade de uma menina pobrezinha a quem o referido Mafarrico vai tentar e atormentar até fazerem chorar o mais insensível dos espectadores, então estamos perante um clássico do bizarro. Especial destaque para os cenários criados para a casa do Pai Natal e para uma cena passada no Inferno (!), onde temos direito a ver uma dança de diabinhos que parece tiradinha do segmento NIGHT ON BALD MOUNTAIN do mítico filme da Disney datado de 1940, FANTASIA. É aqui que os queixos começam a cair sem nos darmos por ela.

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A idade da Terra

quinta-feira, 26 de novembro de 2009


Há escritores que, através do seu grande talento e perícia no uso da linguagem escrita, conseguem avançar a arte da Literatura ao produzirem obras que rompem com a norma e que nos oferecem novas paisagens linguísticas e literárias que, até então, nunca se haviam sonhado ou mesmo tentado, avançando assim essa mesma Arte.

No cinema também se observa este fenómeno quando, pontualmente, é lançado um filme que nos mostra que a 7ª Arte ainda tem muito para dar e reafirma a sua posição como meio de comunicação artístico de eleição do século XX. E quando temos a sorte de ter grandes artistas por trás das câmaras como é o caso do brasileiro Glauber Rocha, o mais certo é, mais cedo ou mais tarde, esse artista nos surpreender com uma obra que ficará para a História do Cinema como um objecto ímpar a ser estudado e reavaliado por gerações e gerações de cinéfilos.

Antes de passar ao filme em questão, um pequeno resumo sobre a obra de Rocha até então. Depois de lançar polémica atrás polémica com cada sucessivo filme que produz e de marcar a História do Cinema Brasileiro com a sua obra, com títulos tão emblemáticos como são TERRA EM TRANSE, DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL, ou ainda O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO (também conhecido como ANTÔNIO DAS MORTES), Rocha vai para o exílio na Europa e em África onde fará alguns filmes que sofrem com a sombra enorme que a sua anterior obra projectará tanto na sua vida como na sua obra artística. Perseguido pelas suas ideologias radicais, só no fim da década dos 70 é que Rocha volta para o Brasil para filmar aquela que é, a meu ver, a sua obra magna, o seu testamento como realizador de cinema e artista iconoclasta – A IDADE DA TERRA.

Para melhor percebermos A IDADE DA TERRA, convém termos visto alguma da filmografia de Rocha, ou então, sabermos quais as suas crenças políticas e temas usados nos seus filmes para realmente percebermos em que medida A IDADE DA TERRA funciona com a súmula de tudo o que tentou fazer até à data. Digamos que é o seu FANNY OCH ALEXANDER, o filme onde vai colocar tudo aquilo que o inspira como artista e tudo aquilo que o corrói como ser político e humano. Desde o terceiro-mundismo (que sempre denunciou, assim como a maneira como os países primeiro-mundistas tiraram partido dessa mesma situação económico-financeira), ao orgulho pelas tradições nacionais (o candomblé, o cangaço, o sertão, o carnaval, enfim, tudo aquilo que é genuinamente brasileiro vai ser celebrado por Rocha), até à criação de um Cinema exclusivamente brasileiro (livre das influências europeias e, principalmente, de Hollywood que nunca retrataram fiel ou mesmo honrosamente as realidades do Brasil, reduzindo-os a estereótipos), Rocha foi um dos paladinos pela causa de um Brasil com uma identidade própria e livre dos americanismos a que estamos sujeitos há mais de um século a esta data.

E com A IDADE DA TERRA, Rocha lança um grito desesperado para uma espécie de libertação de todas essas amarras que mantêm presas as consciências culturais de um povo que tem todo o direito de se orgulhar da sua cultura. E fá-lo de maneira admirável. O filme tem cerca de 3 horas de duração e está dividido, por assim dizer, em vários trechos de acção onde uma determinada cena é interpretada (com grandes doses de improviso) até atingir um certo estado de delírio próximo do histerismo, tal é a intensidade que os actores impregnam às cenas em que estão envolvidos. E agora, vem a novidade – o filme não tem genérico de abertura, nem genérico final e Rocha deu instruções específicas para os projeccionistas decidirem arbitrariamente qual a ordem das cenas a ser feita na altura da projecção. E é exactamente esta abertura total e consequente liberdade na interacção com a obra fílmica entre o artista e o espectador que, para mim, representa um avanço enorme na maneira como podemos encarar o Cinema. Para culminar, está filmado num belíssimo Scope, com umas cores saturadíssimas a trazer constantemente à memória a noção que este filme só poderia ter sido filmado num único país do planeta Terra: o Brasil.

Obrigado, Glauber Rocha.
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Macunaíma

sábado, 7 de novembro de 2009


Há poucos filmes que possuem a capacidade de pegarem em obras literárias de renome como é este MACUNAÍMA de Joaquim Pedro de Andrade (adaptação cinematográfica do romance homónimo de um outro Andrade, desta feita Mário) e de acrescentarem ou inovarem sobre esse mesmo suporte literário. Ainda bem que há excepções para confirmarem a regra e podem ter a certeza que estamos perante uma dessas excepções. Sem dúvida nenhuma.

Tanto o filme como o livro são obras chave para percebermos e apreciarmos dois movimentos fulcrais na evolução da cultura brasileira do século XX: o Modernismo dos anos Vinte no caso do romance, e o Tropicalismo dos anos 60 no caso do filme. O livro ainda hoje continua a ser um objecto único de fascínio intemporal, tanto na revolução que causou em apresentar-nos como herói da história um anti-herói “sem carácter”, tal como nos é introduzido (novidade para a altura, embora Dostoievsky tenha feito carreira com personagens dessa natureza e, até um certo ponto, também Kafka), como pela própria linguagem utilizada para contar uma história cheia de mudanças, metamorfoses e comentários sociais: Mário de Andrade passou anos a fazer um levantamento in loco dos dialectos utilizados pelas diferentes tribos brasileiras e o resultado é uma obra que constantemente nos surpreende pela “novidade” das suas palavras e pela extrema musicalidade com que são usadas.

Já o realizador, Joaquim Pedro, fez história sim porque faz um filme que vai cristalizar a grande revolução cultural que se estava a verificar no Brasil em finais dos anos 60, o já referido Tropicalismo, movimento que se vai propagar a todas as artes e provocar tais ondas de influência que ainda hoje se fazem sentir nas mais variadas áreas. Faz, no entanto, uma importante decisão a nível do argumento e, ao invés de utilizar a linguagem do livro que, embora fascinante, não se adequava a um guião viável, vai inovar, isso sim, na mise-en-scène e surpreender-nos com cores garridas, elipses narrativas e cenários tão primitivos quanto rocambolescos ou até com cariz circense. O Carnaval é outra peça chave neste contexto.

E agora, pergunto-vos? O que é que tem todo este movimento a ver com o canibalismo? Cultural, isto é! Querem saber? Pois bem, uma das palavras chave em toda esta revolução cultural é a Antropofagia, que é como quem diz, o canibalismo. Eu passo a explicar. Uma das razões pelas quais o Modernismo foi apresentado e criado foi exactamente por causa da intelligentsia brasileira da altura se ter fartado de ver a sua particular cultura (tão rica em tradições e costumes) desaparecer perante a supremacia económica da Europa e da América (mais ou menos o que ainda hoje se verifica, como poderão constatar). Propõem então o seguinte: adaptar essas mesmas influências externas à sua realidade, fazendo-as resultar num produto final muito mais interessante como resultado dessa mesma apropriação cultural (bem diferente do que se verificaria no caso da aculturação). Isto tudo cristaliza-se no Manifesto Antropofágico de um outro Andrade, Oswald de seu nome.

Passados 40 anos, uma nova vaga de artistas e intelectuais toma Mário de Andrade como mentor do Tropicalismo e Macunaíma como pedra angular da nova revolução. O melhor de tudo é que um filme à altura desses importantes ideais foi feito, despertando o interesse e a paixão tanto por parte da crítica como do público, tornando-se num dos maiores sucessos de sempre do cinema brasileiro de até então. Mas Joaquim Pedro não se fica por aqui e, num acto de coragem, e de génio também, vai fazer algumas mudanças a cenas-chave do livro adaptando-as à sua própria realidade e vivências pessoais, tornando o produto final uma obra de autor e não somente uma transcrição fiel de um qualquer suporte literário. De especial destaque o final do filme, bem diferente em tom e resolução do retratado no livro.

Bem, mas chega de academismos, embora eles para aqui sejam chamados para melhor percebermos a importância deste filme. É que, mesmo que não saibamos nada sobre o livro de onde foi tirada esta história, nem de todo o background por trás da sua criação, MACUNAÍMA há-de sempre ser um filme acessível ao grande público por ser tão cheio de vida, de cor e de surpresas constantes. E é aí que reside toda a sua magia. Vejam-no a todo o custo.

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Trailer Trash: Santo Contra Los Zombies

terça-feira, 27 de outubro de 2009



Trash mexicano no seu melhor! Lá para aquelas bandas, o Super-Homem nacional é o lutador de lucha libre El Santo e vocês não imaginam a quantidade de filmes que foram feitos com esta personagem. É todo um filão de kitsch mexicano que não tem fim! O mais engraçado da coisa é que o herói é um tipo muito pacato e com muito bons princípios morais e todas as moçoilas o querem para marido! Ou seja, o homem ideal. Com aquele aspecto duvidoso, não sei não. Ah! e ele nunca tirava a máscara! Hmm... Anyway, fiquem com o trailer de uma das suas muitas e variadas incursões pelo mundo dos monstros de terror.

P.S. por alguma razão, não consigo incorporar o trailer directamente, por isso, fiquem com o link.
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Encarnação do Demónio

domingo, 28 de junho de 2009


Zé do Caixão está de volta e melhor do que nunca. O infame personagem criado por José Mojica Marins volta aos grandes écrãs após uma longa ausência e os anos parecem que não passaram por ele: continua polémico, herege, confrontador, messiânico, poderoso no seu atrevimento. Desenganem-se aqueles que pensam que cão velho não aprende truques: Marins é a excepção à regra.

30 anos volvidos em encarceramento, Zé do Caixão é posto em liberdade e logo se faz reunir de um grupo de devotos fãs que o vão ajudar a pôr em prática o seu plano mestre que esteve dormente este tempo todo: encontrar a mulher que seja capaz de conceber o filho perfeito, uma meta que persegue há décadas. Será que é desta? E mais não digo.

Se Marins não fizer mais nenhum filme, este poderá funcionar perfeitamente como o seu filme testamento, tal é a sua qualidade e tais são os horrores que consegue atingir com as imagens criadas. Esqueçam SAW ou outros sucedâneos do género Torture Porn, tão em voga nos dias de hoje. Os jovens realizadores actuais deviam dar uma espreitadela a ENCARNAÇÃO DO DEMÓNIO para ver como é que as coisas se fazem. Com conteúdo e sabedoria. Porque não basta só criar imagens violentas. Há que quebrar barreiras e mexer com as morais que nos regem. Só assim é que o impacto é maior. Marins faz isto tudo e muito mais neste seu novo opus.

Só para corajosos. E para amantes de cinema de extremos.

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