Falar de cinema, cinema e mais cinema. Porque nunca é demais. Somos assumidamente cinéfilos, cinéfagos e cinecratas. Por isso não se metam connosco. E sim, somos maus. Mas não fazemos fitas.
Herschell Gordon Lewis é um dos realizadores de referência aqui no Maus. Por isso, estava mais que na hora de programarmos uma sessãozinha com um dos seus (muitos) clássicos. Fiquem então com WIZARD OF GORE, daquele que é justamente considerado o Padrinho do Gore no Cinema.
Ver este teaser deu-me umas enormes saudades de rever o belíssimo THE COMPANY OF WOLVES. O que não deve ser compreendido pelo estimado leitor como um bom sinal...
Confesso que nunca tinha ouvido falar deste filme e confesso também que não sei como o descobri (acho que devo ter uma espécie de talento para encontrar estas... coisas...), mas admito que fiquei fã e que quero muito ver! A melhor frase do trailer é quando a filha da mãe lobisomem (ai, este português traiçoeiro...) tenta explicar à melhor amiga o que se está a passar:
E é chegada uma das noites mais aguardadas do ano: o Halloween! Mascarem-se, vejam um filme de terror, brinquem, divirtam-se, enfim, façam o que quiserem, mas marquem este dia tão especial! Como brincadeira, fiquem com este episódio da série Addams Family original sobre o Halloween, desculpando desde já a redundância. Fiquem bem e uma boa Noite das Bruxas para todos!
E porque o Halloween está aí mesmo à porta e porque hoje é Sábado e está a chover, porque não então ficar em casa a ver esta preciosidade sueca dos tempos do cinema mudo? Olhem que vale mesmo a pena. Mais tarde iria ser redescoberto pela geração beat e relançado nos cinemas norte-americanos com narração do mítico William S. Burroughs, mas a versão que vos trago aqui hoje é a original. Boa sessão!
Pois é, quer acreditem, quer não, Jack Nicholson vai voltar às lides dos filmes de terror depois do clássico THE SHINING e do não-clássico WOLF. O nome do filme e o conteúdo do seu enredo ainda continua fechado a sete chaves, mas o que já se conseguiu apurar até agora é que irá ser uma história de vampiros (dah...) e que Nicholson irá desempenhar um papel de caçador de vampiros. Exactamente. A meu ver, o lendário actor ainda daria um óptimo e arrepiante vampiro (como poderão comprovar pela brincadeira acima mostrada), mas pelos vistos o seu prazo de mauzão da fita já expirou...
O que me assusta no meio disto tudo é que, pelo andar da carroça, um dia destes ainda vamos ver o Clint Eastwood a fazer de Conde Vlad... E isto sim, seria assustador!
Ai glorioso dia, que te avizinhaste tão precoce na tua graça! Bem hajas, tu que nos trazes estas benesses como quem sabe saciar a nossa sede! Não há data mais ditosa que esta, a que nos trouxe as primeiras imagens do tua nova face! BALADA TRISTE DE TROMPETA te apelidas e nós, genuflexados, agradecemos-te. Salvé!
Um exercício interessante para quem quiser ver como 40 anos de evolução na arte de fazer Cinema fazem toda a diferença. Os dois são clássicos à sua maneira, mas por razões completamente diferentes. Um porque mostra tudo, o outro porque deixa tudo à imaginação de cada um. E ambos funcionam. Coisa rara. E ainda bem que assim o é.
E se MARY POPPINS fosse um filme de terror? Aqui fica a resposta em baixo e a prova que a montagem é (quase) tudo no Cinema. Se me perguntarem a mim, eu sempre achei estas perceptoras um pouco assustadoras, por isso não é preciso muita imaginação para levar esta brincadeira a sério...
E que melhor coisinha para começar a semaninha do que um filme de animação cubano com vampiros e gangsters à mistura? E depois digam lá que eu não vos trato bem...
Quando mudar de casa se torna um pesadelo (e este vai de encomenda para uns certos membros do Maus que estão prestes a fazer isso mesmo... muah ha ha!). Divirtam-se com as mudanças, meninos!
Os EUA têm Hollywood (fogo, que até me custa a escrever), a Índia tem Bollywood (derivado de Bombay, antigo nome de Mumbai) e o Paquistão tem Lollywood - mistura entre Lahore (meca do cinema Urdu) e o já habitual sufixo "-lywood".
Lamentavelmente, a Índia e o Paquistão não têm sido os melhores amigos possíveis e como tal o cinema indiano tem sofrido muitas restrições quanto à sua exibição no Paquistão. Bollywood, só de candonga.
Do mesmo modo, o cinema paquistanês também não tem muita saída cá fora.
Na linha da frente da promoção do cinema indiano obscuro e do cinema paquistanês quase esquecido está a editora Mondo Macabro e os seus comparsas habituais, os irmãos que gerem a cadeia de gelados paquistanesa The Hot Spot (e o seu congénere online, o valioso site The Hot Spot Online, o maior e melhor arquivo disponível de vídeos e imagens vintage do sudeste asiático).
Pois é das mãos de um desses irmãos, Omar Ali Khan, que nos chega o promissor Zibahkhana (Hell's Ground), anunciado como o primeiro filme gore do Paquistão.
Estreado em 2007, este filme tem os ingredientes indispensáveis a qualquer clássico do género: zombies, adolescentes rebeldes que fumam charros, uma família hillbilly (neste caso, camponesa) disfuncional e - wait for it - um assassino psicopata travesti que enverga uma burqa branca manchada de sangue.
Zibahkhana - um filme que promete ser épico e pestilento ao mesmo tempo...
E já que esta semana tivemos muita vampiragem aqui pelo Maus, que tal terminar em grande com um Topzito dedicado aos mais bizarros filmes de vampiros de que me consegui lembrar? Fui buscá-los aos quatro cantos do mundo e a variedade aqui é tão grande que só prova mesmo que estas criaturinhas pálidas e aterradoras ainda vão andar entre nós por muito mais tempo. Também, é suposto serem imortais, correcto? Comecemos então. Ah!, desta vez não há lugares porque, como poderão ver, eles são todos tão bizarros à sua maneira que seria até um pouco injusto decidir qual estaria nesta ou naquela posição. Aqui ficam eles então, todos em pé de igualdade.
E começamos fortes! O que é que acontece quando se junta Blaxploitation com Vampirismo? Acontece este BLACULA, that's what motherfucker! Este mano gosta mesmo é de ferrar pescocinhos de damas - e elas, de serem ferradas por ele. Já se sabe, once you go black, you never go back!
Também conhecido como DRACULA IN PAKISTAN, este delírio Bollywood com canções à mistura e tudo, consegue transpôr o original de Bram Stoker para a Índia como se nada fosse. Neste caso, o vampiro em questão era um cientista que ficou assim virado para o sangue após beber uma mistura que, em princípio, lhe daria a imortalidade. A coisa deu para o torto, claro. Como estão a ver, isto é Dr. Jekyll and Mr. Hyde, Dracula e drama musical tudo à mistura numa grande masala! Imperdível.
Guillermo Del Toro prova aqui com a sua primeiríssima longa-metragem que já era um gajo com ideias e visão. Aqui o vampirismo é originado por um antiquíssimo artefacto em forma de escaravelho dourado feito por um alquimista do século XVI que, mais uma vez, está feito para garantir a imortalidade a quem o utilizar (mas será que estes gajos não aprendem que essa cena de vida eterna é muito má onda? Dá sempre para o torto!). O interessante da coisa é que nos mostra o vampirismo como uma dependência. Ah!, e tem como personagem principal um velhote dono de um antiquário que vai utilizar esse mesmo artefacto para se sentir mais jovem e viril. Como nós o percebemos...
Dracula no México soa-vos mal? Pois a este señores não. Se há coisas que os países da América Latina sempre souberam fazer de maneira... como dizer, ímpar... foi pegar em aspectos culturais de outros países e introduzi-los na sua cultura sem pensar muito na coisa. Os indianos têm a masala, os mexicanos... a piñata...? Bem hajam, porque não há realmente que ser snob nestas coisas da cultura!
Ok, mais uma: o que é que acontece quando se pega nos filmes da Hammer e se mistura com artes marciais? Acontece esta coisa assustadora que estão a ver em cima! Feito numa altura em que os filmes do Bruce Lee estavam "a dar" (dinheiro, claro), este filme faz-me lembrar o Dragon Ball: "Fu-são!".
E se a moda não pegou muito cá para os nossos lados, pelos vistos lá para a Ásia a coisa deu resultado. E o resultado é outra bizarria, desta feita vinda all the way from Hong Kong. Os vampiros aqui saltam. Alto. Muito alto. I kid you not. Só vendo para crerem. Fez grande sucesso e é hoje um dos clássicos do cinema de terror asiático. It's a strange world, I know.
E continuamos no Oriente, desta feita na Coreia do Sul onde uma história carregada de simbolismos religiosos nos provoca com o poder da sua mensagem e das suas imagens, criadas nada mais, nada menos do que pelo enfant terrible daquelas bandas: Park Chan-wook, o Sr. Oldboy. A surpresa aqui é vermos um padre católico sul-coreano a combater os seus demónios pessoais e a falhar miseravelmente. E a apaixonar-se pelo meio. Soa-vos a um bom filme? Então é porque é mesmo. Altamente recomendável.
Mas já em 1979 alguém se tinha lembrado de fazer um filme sobre vampiros com esse nome. E na Austrália, no less (eu disse-vos que os fui buscar aos quatro cantos do mundo, não disse? Não estava a brincar, como vêem). Neste filme vamo-nos deparar com uma comunidade de vampiros que usam os humanos como fonte de subsistência e onde os criam em quintas para assegurar a sua sanguinária sobrevivência. Se isto vos soa a um outro filme que por aí anda que fala mais ou menos da mesma coisa (cof... DAYBREAKERS... cof...), então não estão a imaginar coisas. E agora damos um salto através do Pacífico em direcção aos good old U. S. of A.
Sim, este filme é exactamente tudo aquilo que estão a pensar. E ainda mais! Só para terem uma ideia da natureza desta besta, deixo-vos com a descrição que aparece no Imdb: "Kung-Fu Action / Comedy / Horror / Musical about the second coming". Para mim isto é o suficiente para o incluir em qualquer lista que se preze.
E fechamos com chave de ouro com um dos mais bizarros filmes saídos do Japão ou de qualquer outro país! Esta demência visual é de visão obrigatória para todos os fãs de filmes de vampiros! O meu sonho é pôr um fã da saga Twilight a ver isto com aqueles grampos nos olhos à la Laranja Mecânica! Bem que eles merecem, não é? Bom Domingo, pessoal!
Assim como quem não quer a coisa, Juraj Herz passou de um realizador checo completamente desconhecido para mim até há uns meses atrás, para alguém de quem fiquei fã após ter visto recentemente três filmes dele. Fã mesmo. Assim como quem não quer a coisa.
Já por aqui tinha escrito sobre a sua adaptação do clássico A Bela e o Monstro - Panna a Netvor - e como esse filme me tinha fascinado com a sua riqueza de imagens e de simbolismos. Daí a ver um outro filme seu (THE CREMATOR, sobre um cremador, nem mais e filmado de uma maneira tão gótica quanto febril) foi um passinho. Mas havia um outro seu que me escapava e que eu queria ver mais que nenhum e é esse mesmo que eu aqui trago hoje: MORGIANA.
Baseado num conto de Aleksandr Grin, Jessie and Morgiana, conta-nos a história de duas irmãs que após perderem o seu pai, herdam cada uma uma parte do seu grande espólio. E à boa maneira literária, uma tem tanto de maquiavélica e invejosa como a outra tem de boazinha e angelical. E vai ser a partir desta balança altamente desequilibrada de personalidades antagónicas que as linhas desta trama se irão tecer. Se vos disser que ambas as irmãs são interpretadas pela mesma actriz com grande savoir-faire e óbvio prazer e que todas estas andanças foram filmadas por Jaroslav Kucera, o mesmo senhor responsável pelas imagens de outro filme-chave da Nova Vaga Checa dos anos 60 - DAISIES de Vera Chytilová - têm aqui indícios suficientes para o quererem ver com toda a urgência.
O curioso da coisa é que este filme não é tido lá muito em conta pelo próprio realizador. Ele considera-o mais como um exercício de estilo na área do gótico e do fantástico a que ele se propôs a fazer para não perder o "jeito", vá lá. Por mim, ainda bem que o fez, porque o resultado final é magnífico. Mas se pensarmos bem, e se tivermos em conta o ambiente politico-cultural que se viveria na Checoslováquia dos anos 70, então não o podemos mesmo julgar muito arduamente. É que ele devia estar numa situação em que ou fazia filmes, sejam eles quais fossem os temas ou estilos, ou então não os fazia mesmo se a sua intenção fosse realizar algo que fosse contra as ideologias de então. Uma coisa é evidente: o seu talento em captar imagens de um enquadramento exímio e de um pormenor extremo, já não falando, está claro, na sua capacidade de nos hipnotizar com a maneira como a história nos é contada. E é aqui que se vê a marca de um grande realizador.
Ah!, só mais uma coisa: a Morgiana da história é esta gata siamesa que estão a ver aqui em baixo e uma coisa vos digo, o desfecho deste filme vai depender e muito desta gatinha. E mais não digo, a não ser que quase de certeza o vou ver outra vez esta noite!
Já que estamos numa de vampiros esta semana aqui no Maus, então porque não continuar nessa veia - ou melhor, vertente? Cof, cof...
Lembrei-me de vos trazer aqui hoje uma trilogia de vampiros à japonesa que data dos inícios dos 70 e que foram realizados por Michio Yamamoto. Esse trio de filmes foi apelidado de BLOODTHIRSTY TRILOGY e é composto por VAMPIRE DOLL, LAKE OF DRACULA e EVIL OF DRACULA (estes são os títulos mais utilizados, mas se fizerem uma busca no IMDB, de certezinha que encontrarão uma infinidade de variantes; sinais dos tempos, é o que é). Se a vossa próxima pergunta for acerca do fio condutor que une estes três filmes, ou seja, se a história é só uma (à laia de TWILIGHT), a resposta é "Não". A única coisa que os une é mesmo o tema do vampirismo. E ainda bem que assim é, porque torna-se mais fácil vê-los separadamente sem os impedimentos de sabermos a historinha toda, tim-tim por tim-tim.
O curioso dos filmes é que de japonês têm muito pouco. Eu explico: se estão à espera de verem sair vampiros samurai dos caixões ou de cenários minimalistas, então desenganem-se. A estética é toda tiradinha da Hammer (sim, há mansões com candelabros e tudo) e os filmes têm todos um look muito contemporâneo (há inclusivé cenas urbanas com moçoilas de mini-saia a fazer compras). Mas não deixem estes... "pormenores" tirarem-vos a vontade de verem estes filmes. Não, mesmo. Se há uma coisa que os japoneses faziam muito bem nesta altura era filmar em Scope com uma mestria e um savoir-faire que era só deles e esta BLOODTHIRSTY TRILOGY não foge à regra - são muito agradáveis à vista e enchem as medidas de quem aprecia estas coisas. Depois, têm um fascínio "camp" único que consiste em ver nipónicos a utilizarem tradições e temas cinematográficos exclusivamente ocidentais (ou pelo menos, maioritariamente ocidentais até então). É quase como um dia destes vermos o Robert Rodriguez a fazer um filme sobre os Onryõ. O que havia de ser giro, confesso.
Estes três filmes não são, no entanto, muito conhecidos no Ocidente (e acho que nem no Japão), por isso se conseguirem e se gostarem do género, vejam-nos porque valem a pena. É que são mesmo divertidos in a creepy kind of way. Eu só gostava era que alguém tivesse a brilhante ideia de os editar por cá com a "prendinha" que a edição japonesa trazia: um mealheiro como a imagem que estão a ver em baixo. Isso é que era!
Neste filme fuderoso, nosso querido e aclamado Chumbinho atua em sua forma vampiresca, apreciador de modess ensangüentados, porque além de anão, o minivampiro é banguelo!
Agora, digam-me em pura verdade: quem é que não quer ver isto?! Delicioso! Chumbinho é o meu novo herói!
Assume-se que seja fácil ser uma pessoa comum em Liverpool. Fazer o chá pela manhã, arrumar a casa, ir trabalhar, voltar do trabalho, ir ao pub, dormir e repetir. Assume-se até que com algumas peculiaridades se consegue ter uma existência banal. Sejam elas não morrer, estar morto ou ser um lobo uma vez por mês. Assume-se. E correctamente.
Este post é para todos os que, como eu, pelo anúncio ou por um qualquer resumo ou review perceberam que Being Human era uma série de criaturas sobrenaturais, maus efeitos especiais e com muito pinanço gratuito. Apesar de ter sido transmitida pelo canal Fox semanalmente antes dos episódios da última temporada de Lost, não me parece ter tido a adesão merecida. Há que corrigir a impressão errada que possa ter ficado: das criaturas sobrenaturais o cliché acaba antes de começar, dos efeitos especiais… são maus, mas isso não é relevante e do pinanço há pouco, que a gratuicidade é para séries sem substância. Esta série é comédia dramática, comédia em força, drama de nos fazer religiosamente colar à TV todas as semanas.
A ideia é básica: um vampiro com algumas décadas, uma recém-fantasma e um recém-lobisomem juntam-se para serem normais. O resultado imediato para o espectador é encontrar uma série de buddies, com um interesse acrescido.
Ser humano não é tão fácil quanto se espera, há vampiros conspiradores, religiosos perseguidores e, para a fantasma que ninguém vê, uma imensidão de solidão. Não vou entrar por descrições do que ocorre na série, porque estrago. Leitores, façam um bom negócio e encomendem na Amazon a caixa com as duas temporadas já transmitidas.
Três amigos, três house-mates, que são e fazem por ser humanos. Banal. Para apagar da memória aquele mau anúncio da Fox, deixo um vídeo bem mais fiel ao espírito da serie.
E do Purgatório dos filmes maus dos anos 80 (uma das maiores ante-câmaras do Inferno dos filmes de série Z de que há conhecimento), chega-nos este ROCKULA! Desafiando qualquer explicação e com menos defensores da sua causa do que fãs do General Idi Amin Dada, conta-nos a história de... bem, mais vale verem mesmo o trailer porque qualquer comentário meu só estragaria a magia de ver isto sem prévia preparação. Mais uma pérola da Cannon, para os conhecedores...
Este filme exemplifica na perfeição a ideia de que é má onda meterem-se com uma novaiorquina. Podem acabar enforcados, castrados, afogados ou dilacerados. É claro que eu estou um pouco aqui a brincar com a coisa, porque esta "coisa" é um filme difícil de engolir. Se conseguirem imaginar que vão assistir a uma cena de violação que dura cerca de meia-hora e que envolve 4 homens e uma mulher, filmada num estilo cinema verité, sem banda-sonora a amenizar a coisa (ao contrário de outro "clássico" do género, LAST HOUSE ON THE LEFT), cena essa que vai desencadear uma vontade de vingança assassina por parte da vítima, então estão quase lá.
Filmado em 1978 por um desconhecido - Meir Zarchi - e aparentemente inspirado pelo mesmo ter encontrado na rua e ajudado uma mulher que tinha acabado de ser vítima de violação, resolve então pôr mãos à obra e realizar um filme sobre esse mesmo tema, onde vai dar à protagonista - Cammille Keaton, a filha de Buster Keaton(!) e sua esposa na altura - a arma que essa tal mulher nunca teve: a vingança.
Quanto estreou, o acolhimento por parte da crítica e do público foi tão mau que quase passou ao esquecimento, mas os anos encarregaram-se de lhe dar algum crédito grindhouse e os fãs deste exercício mórbido e extremo encontram-se por aí, ao virar da esquina de qualquer blog dedicado ao género de terror. Quanto a mim, ainda não tenho opinião formada, ou seja, não estou do lado dos que o defendem, nem dos que o chacinam. No entanto, reconheço e admiro o seu poder de ainda hoje nos chocar, passados que estão mais de 30 anos da sua estreia. Agora, não sei se a mensagem supostamente feminista do realizador foi cabalmente conseguida (ou sequer se foi minimamente conseguida). Mas lá que conseguiu chamar a atenção para um problema da sociedade e intrinsecamente do ser humano, lá isso conseguiu.
Acho que tenho de o ver outra vez. Mas acho também que não vai ser assim tão brevemente.