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Decalcado do meu outro sítio, calha em boa altura por ser filme pioneiro e se enquadrar no tema de Outubro daqui e... quero dizer, a malta faz críticas de filmes indianos e não se falava de nenhum aqui?!
Vamos lá então...
Recentemente temo-nos dedicado aos clássicos do cinema indiano, que tantas belas peças nos reserva.
Mahal, realizado em 1949 por Kamal Amrohi (o do Pakeezah), é uma delas.
Este filme tem todo o interesse para os amantes do cinema indiano por diversas razões que mencionarei, mas o que me levou a querer vê-lo foi o facto de ser uma história de fantasmas, um género que muito aprecio.
O Sr. Ashok Khumar, que aqui desempenha o papel de Hari Shankar, vai viver para uma recém herdada mansão abandonada, de seu nome Shabnam Mahal, que, consta por aí, está assombrada.
Pouco tarda até que o Sr. Shankar se cruze com o fantasma de Kamini (Madhubala), a amante do antigo proprietário da casa e figura central do drama que se desenrolou na mansão e que levou à morte de ambos.
Hari desenvolve gradualmente uma obsessão por esta bela rapariga fantasmática e seus mistérios, regressando noite após noite para encontros fugazes.
O fiel amigo de Hari, Shrinath (Kanu Roy), preocupado com o rumo que a vida do seu amigo está a levar, tenta a todo o custo desviar-lhe a atenção para outros assuntos como o casamento com a bela - e viva - Ranjana (Vijayalaxmi).
E assim é que os dois se casam não sendo por isso que Hari esquece o seu amoroso espectro, votando ao abandono a sua esposa que lentamente definha não compreendendo o porquê de tudo isto.
Hari é a reencarnação do antigo proprietário da casa, logo, o legítimo amante de Kamini que, entretanto, o convence que para estarem juntos novamente ele se deverá suicidar ou, alternativamente, matar a filha do jardineiro que Kamini diz ser a sua reencarnação.
Chegando aqui não vou revelar mais do enredo - que dá umas belas reviravoltas ainda - mas falarei dos tais motivos que tornam este filme especial na história do cinema indiano.
Este foi um dos primeiros filmes a abordar o tema da reencarnação, bem como um dos primeiros thrillers de suspense da indústria do sudoeste asiático, abrindo o caminho para o cinema de ficção gótica indiano e, por isso, merece toda a atenção dos cinéfilos e estudiosos da arte.
Foi igualmente o filme que lançou as divas Lata Mangeshkar (com a sua bela cantoria) e Madhubala (com o seu digno rosto) para o estrelato.
É daqueles filmes que todas as pessoas devem mesmo ver mas... apesar da fotografia ser encantadora, as músicas bonitas e a história cativante, por vezes o ritmo quasi-nipónico (leia-se: muito lento) e a repetição de cenas como a Kamini no balouço a cantar tornam a obra um tanto ou quanto monótona para não dizer chata mesmo; ficam avisados.
Pois eu inauguro o mês a falar do Rocky Horror Picture Show então!
Logo no início do filme há uma cena com os Bauhaus a tocarem que realmente é memorável para aqueles que como eu nutrem um especial carinho por eles. Segue-se uma sequência de caçada e repasto que nos deixa logo mais à vontade.
Entra Susan Sarandon como Sarah Roberts, especialista em Hematologia que realiza estudos de envelhecimento em babuínos. Sim, que Miriam, habituada a perder outros amantes, rapidamente se prepara para substituir John por Sarah que prontamente inicia nas misteriosas artes negras do sangue e da vida eterna.
O amigo Linus já aqui falou do Kenneth Anger, mas o meu amor pela simbologia e pelo ocultismo leva-me a falar aqui de mais um dos seus pequenos filmes: Lucifer Rising, filmado em 1972.
O Ian Curtis, o vocalista e autor das letras, tinha uma maneira de escrever séria e cavernosa na qual eu me revia e revejo com frequência.
Durante muito tempo a única coisa que eu soube da vida do Ian Curtis foi que ele se tinha suicidado aos 23 anos de idade. Abstive-me sempre de ler a biografia escrita pela mulher dele, Deborah Curtis, porque sabia que era tendenciosa. Ela dizia coisas terríveis do Ian que mesmo sendo verdade eu preferia não saber; Concerteza que ela também disse coisas terríveis dele por ele a ter traído.
Tinha visto o 24 Hour Party People como bom fã da cena Mancuriana que sou, mas sejamos sinceros, o retrato que dá dos Joy Division é, no mínimo, superficial; não o podia ser de outro modo, claro, porque o filme falava era da Factory e tudo o resto.
Finalmente alguém fez um filme decente sobre os Joy Division, e esse alguém calhou logo a ser o Anton Corbijn, realizador de tele-discos e o tipo que tinha feito o vídeo Atmosphere.
E pronto, assim foi que me vi confrontado com a biografia da Sra Curtis, uma vez que o filme recorre muito a ela.
Na verdade o filme é mais sobre o Ian Curtis do que sobre os Joy Division que surgem mais aqui como a sua banda, do que como uma banda – esta minha afirmação é um pouco injusta é certo, mas nem por isso absolutamente falsa: ouçam os New Order, a banda que se formou após a morte do Ian e digam-me qualquer coisa.
A vida do Ian, como se costuma dizer, dava um filme.
O tipo que o mundo viu partir aos 23 anos era daqueles “larger than life” que teve o azar (ou a sorte) de aparecer em Manchester (numa altura menos famosa para a Inglaterra pós-Industrial), que se apaixonou por uma querida lá da terra que tinha ambições próprias de rapariga lá da terra, deu a alma a uma das bandas mais influentes dos anos 80’s e o corpo à medicação para combater a sua epilepsia.
O filme acompanha a ascenção dos Joy Division que começam a tornar-se famosos e a dar concertos por aqui e por ali. Num desses concertos o Ian (Sam Riley) conhece a bela Annik (Alexandra Maria Lara) pela qual se vem a apaixonar. Aqui poderíamos ter tido um retrato de mulher-malvada-que-destrói-lares com a moça, mas não, ela afinal era só aquele estímulo intelectual que a Deborah Mancuriana (Samantha Morton) já não era, agora mãe de uma filha de Ian.
Este senhor sabe fazer filmes: não é facil emitir juízos morais sobre as personagens que ele descreve. São todas muito cinzentas em todo o seu preto-e-branco.
Uma das coisas que este filme consegue é fazer com tenhamos pena de toda a gente: pena da Deborah que obviamente amava o Ian, pena da Annik que era a outra porque não podia ser a única e pena do Ian porque, caramba, o rapaz sofria mesmo muito com tudo.
Já se sabe, o Ian suicida-se enforcando-se em casa e assim termina o seu sofrimento e ninguém que veja o filme poderá deixar de sentir empatia por aquele que não conseguiu lidar com os seus amores perdidos, com a pressão de ser famoso e com a epilepsia que na altura era ainda uma coisa estranha e sem medicação adequada.
Técnicamente o filme é um mimo. Preto e Branco brutal, grande mise-en-scéne, e desempenhos magistrais por parte dos actores com especial destaque para Sam Riley que para além de ser parecido com o Ian Curtis, desempenha o epiléptico alienado como ninguém.
Quem gosta de Joy Division tem de ver, quem gosta do Ian Curtis não pode perder. Quem gosta de cinema bonito, já agora aproveite e veja também.
Tomei contacto com este filme quando em 1900 e carqueja (não me recordo exactamente) li sobre ele na agora defunta revista Propaganda. Pouco depois acabei por vê-lo na festa de aniversário da namorada de um amigo meu.
Deambulando vão até se cruzarem com um grupo de hominídeos andrajosos que a início os adoram, para de seguida os torturarem, desmembrarem e acabar por enterrar.
Gosto deste filme, primeiro, porque aborda o paganismo em filme sem o demonizar. Au contraire, à boa maneira dos anos 70, torna-o até bastante apelativo com os seus ritos de fertilidade levados a cabo por jovens núbeis dançantes - não se insultem os pares paganos, eu também sou um deles, e sei que não é só de ritos de fertilidade que vive o credo.